sábado, 16 de julho de 2011

DIÁLOGO SOBRE O ISOLAMENTO

 "Grande homem é o que, no meio da multidão, 
conserva com plena serenidade a independência da solidão." Ralf Waldo Emerson

Um mundo politicamente escravizado no correto, pretende abalar até o sombrio, mas necessário, sentimento de estar só. O aproximar-se, o ajuntamento de grupo, com a única expectativa de fugir da própria sombra, acaba por encontrar a fuga da própria luz. Unir todos em uma única opinião, segrega, sem que se perceba, o homem, de sua própria opinião. 

A coletividade é uma solidariedade negativa, baseada que é no temor da destruição global. Como toda teoria fundamentada no terror, imputa ao homem a culpa por algo que ele sequer escolheu, por si. E faz do quase sempre justo sentimento da solidariedade, uma carga insuportável.  Há vantagens em isolar-se. Se não fugir dos próprios recônditos sombrios é caminho para iluminá-los, dizer não à coerção do agrupamento coletivo, traz como a primeira das vantagens, o poder de descobrir-se. E descobrir-se é jogar luz sobre o intelecto, a capacidade, a vontade. Inclusive, a vontade de cometer os próprios erros - e não se eximir de arcar com a responsabilidade moral, e até legal, se for o caso, deles.

Cada pessoa só pode ser única. Limitada ao nascer e ao morrer, mas dentro deste, sem limites, caso queira atuar como indivíduo. Não se conhece a capacidade de cada um, porque não é possível mensurar capacidades, habilidades e inteligência. Nem a ação que delas provém. A segunda vantagem, depois do auto-conhecimento, que traz o isolamento, é o próprio indivíduo assimilar a força de suas capacidades, de seus valores. E que ninguém se engane: a voz que não ressoa da rua, mas ecoa do silêncio final, mais profundo de si, é uma força da natureza. É uma voz que difere da igualdade e da fraternidade, que são fáceis. É a voz da liberdade.

Ninguém tem personalidade mais acuada do que o que junta generalidade em si. Especial é quem junta de si à multidão. Não há temor em estar só. Porque, para se afirmar "eu" e "sozinho", é preciso conhecer "outro" e "junto".  A verdadeira, e útil, solidão, acontece porque vivemos com outros. Descoberto, o melhor de nós, seremos sempre melhores para vivermos juntos. Com outros, sem precisar matar-nos, a nós mesmos, pelos outros. Indiscutivelmente, outra grande vantagem da imersão em si, é encontrar a coragem. A coragem de ouvir-se, sem se deixar esmagar pela força da opinião alheia. O espelho de si embala seu universo em direção aos braços da luz.

O encontro diante de todas as nossas coisas, liberta-nos. Vá. Isole-se. Descubra-se. Encontre suas sombras e o limite de sua coragem. Rompa a luz, entregue-se aos seus braços. E ilumine os outros.

Arquivo: 
DIÁLOGO SOBRE A HUMILDADE (by Marcelo Randes)
DIÁLOGO SOBRE CARÁTER

2 comentários:

  1. Como é bom saber que mais pessoas pensam da mesma forma que eu.
    Talvez este modo de ver as coisas seja a causa de mais pessoas estarem vivendo sozinhas.
    Eu sou a minha melhor amiga, mas a solidão não é para qualquer um.

    Parabéns Marcelo e Regina!

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  2. Caríssimos:
    Como depoimento, assim como o da doutora, eu curto muito ficar em reunião comigo mesmo. Claro que uso esses momentos para me avaliar e ver como posso crescer, mas vira e mexe prefiro ouvir minhas músicas e me enfiar em suas mensagens.
    Muito bem escrita a mensagem.

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