domingo, 24 de julho de 2011

É DOMINGO - HOMEM PARA DEUS

Ele vai só, ele não tem ninguém 
onde morrer um pouco toda a morte que o espera 
Se é ele o portador do grande coração e sabe abrir o seio como a terra, temei
não partam dele as grandes negações
Que há de comum entre ele e quem na juventude foi 

que mão estendem eles um ao outro 
por sobre tanta morte que nos dias veio? 


É no seu coração que todo o homem ri e sofre
é lá que as estações recolhem findo o fogo, 

onde aquecer as mãos durante a tentação
é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre


Não leva mais de seu que esse pequeno orgulho
de saber que decerto qualquer coisa acabará 

quando partir um dia para não voltar e que então 
finalmente uma atitude sua há-de implicar 
O que Deus terá visto nele para morrer por ele? 
Oh que responsabilidade a sua!
Que não dê como a árvore, sobre a vida simples sombra 
que faça mais do que crescer e ir perdendo vestes
embora diminuta uma qualquer consequência

Oh, que difícil não é criar um homem para Deus!

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"

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