quarta-feira, 27 de julho de 2011

NAS ONDAS DO CINEMA

Lendo a artigo sensacional da Mirtes, fiquei pensando. Cinema foi/é uma das minhas muitas paixões, e me ocorreu que alem de mim, meus heróis envelheceram, até muitos deles já faleceram. Isso não é nada bom porque estou perdendo as minhas referências e por contigüidade, a paixão pela arte.
Comecei a me interessar  por cinema vendo o filme Hello Dolly, aos 13 anos de idade. Tinha Louis Armstrong e uma gama de gente que não me lembro, mas o casamento entre a imagem e a musica me fascinou de cara. Aos 14 anos já mais independente, conseguia sair do meu bairro e pegava o único ônibus que fazia circular entre Leblon e São Conrado. Os meus afazeres, tinha que terminar antes de meia noite porque o último ônibus que me levaria para casa saía do Leblon nessa hora. Se perdesse esse, estaria condenado à 8 km. de caminhada pela Av. Niemeyer.  Descobri, no Leblon, o Cine Miramar. Um pequeno teatro no final do bairro, na quadra da praia. Ali fiz amizade com o bilheteiro e o cara que controlava os tickets (o chato da “carteirinha”). A minha era falsificada para 17 anos e isso me dava salvo conduto para ver todos os filmes, inclusive de censura 18 anos.
Foi no Miramar que nasceu meu primeiro grande herói: Richard Harris no papel do caçador, preso pelos índios no “Um Homem Chamado Cavalo.” Logo em seguida o Roy Schnayder  em “Jaws”. Expandi as minhas incursões na Zona Sul do Rio e já freqüentava os cinemas Leblon, o Pirajá, o Pax e o Super Bruni 70. Locais que viraram meus grandes marcos da adolescência. 
Via os filmes de ação do George C Scott e achava aquele tipo de machão o máximo, era isso que eu queria ser quando crescer! Charlton Heston fez um filme chamado Soylent Green, filme futurista onde o mundo tinha carência de proteínas, clima dark puxando os filmes “noir” da década de 50. Aí, tive que recorrer à um professor da escola. Esse me falava sobre os grandes filmes da década de 50 e 60 e sobre Humpfrey Bogart, Rock Hudson, David Niven, Richard Burton, Marlon Brando, John Wayne, James Dean e tantos outros. Mas o professor me disse que era melhor estudar os “diretores” e acompanhar estes, aí seria mais fácil decorar os atores. 
Já era difícil ter rédea da turma toda, mas lá ia eu estudar. Começei pelo  Orson Welles e o fantástico Citizen Cane. “Estado de Sitio” do Costa Gravas foi um desses filmes que me levou a pensar melhor sobre o que estava vivendo na época e de cara fiquei fã. E antes de continuar, alerto: sou fã de TODOS. Até por questão de elucidação, com uns 15 anos, e os hormônios nas alturas, me apaixonei pelo Fellini. “Roma, Amacord e Casanova” foram filmes que assisti umas 10 vezes cada. Era uma peregrinação que começava sábado depois do almoço, e terminava depois da sessão da meia noite em Ipanema,  com direito a ir à pé para casa! Mas valia a pena. Vi impressionado, o Blow Up do Antonioni, e não pude perder o Zabrinskie Point dele. A trilha sonora, bateu no meu ouvido, e estudando o cartaz do filme, aprendi que essa trilha era feita pelo nada menos que o Pink Floyd. Assistia maravilhado, as atrapalhadas do “Estranho Exercito de Brancaleone”, o nascimento do spaguetti western italiano com Terence Hill (Me Chamo Trinity!) e Butch Spencer.
Mas nenhum cineasta me fez pensar tanto em cinema como o Werner Hertzog. Klaus Kinsky era para mim, “O Cara”. “Aquirre A Colera dos Deuses” e “O Estranho Enigma de Kasper Hauser” e mais tarde o “Nosferatu”, e por fim o absolutemente maravavilhoso “Fitzcarraldo”,  me fizeram pensar em seguir carreira no cinema. O “Ultimo Tango Em Paris” com o Marlon Brando, foi matéria para conversas entre amigos, por mais de meses. Obra impressionante, sim discutíamos alem das qualidades físico-quimicas da manteiga! O filme seguinte ,“1900”, era outra obra prima.
Foi só nos “reruns” que tomei conhecimento do “2001 Uma Odisseia No Espaço” e ali vi quão ilimitado era o cinema. A trilha do Deodato, além da musica clássica, me emocionam até hoje. 
“Easy Rider” foi outro filme impressionante, e marca o nascimento daquele que viria a ser o meu ídolo maior das telas: Jack Nicholson. Anos mais tarde quando faz, Chinatown, Estranho No Ninho e O Iluminado, sabia que estava no caminho certo. Vendo “Laços de Ternura” apenas confirmei o que sempre pensara a respeito do Nicholson, esse cara é muito maior do que a vida.
Nicholas Nolte entra na minha lista um pouco mais tarde, quando faz o “The Deep” na companhia da maravilhosa Jacqueline Bisset.
Paul Newman é até um capitulo à parte, onde o grande “Golpe de Mestre” foi a aclamação. Tinha visto o fantástico “Butch Cassidy And The Sundance Kid", e ver o Newman na tela era garantia de qualidade. Burt Reynolds era desse time, também. Desde o “Smokey and The Bandit” e o medonho “Deliverance” ele tinha um fã.
Richard Harris, Richard Dreyfuss, Roy Schnaider, Charlton Heston, Sean Connery fazem parte da minha “Primeira Onda”, onde o Kinsky, Nicholson, Jeff Bridges e Harrison Ford compõem a Segunda Onda.
Agora vamos falar um pouco do cinema “sério”. “The Deer Hunter” foi provavelmente a minha rendição final à grande arte. Robert De Niro e Meryl Streep chegaram perto da perfeição. Filme tenso, longo e cheio de emoção. Ainda tinha Sal Mineo, Christopher Walken e Jon Voight como coadjuvantes.  Veio no esteio dos grandiosos “The God Father”. E tinha ainda os “French Connection” do genial Gene Hackman concorrendo por fora.
Lá vou eu quase esquecendo do “monstro” do Al Pacino. A começar pela “ponta” em o Poderoso Chefão, passando pelo “Um Dia de Cão”, “Serpico”, “Sea Of Love”, Perfume de Mulher” e tantos outros. Al Pacino faz parte das duas primeiras ondas, onde o” Scarface” certamente foi o papel mais intenso dele. (A Michelle Pfeiffer estava MARAVILHOSA nesse filme!)
Faz parte também o outro monstro, Dustin Hoffman. Esse vem desde o “The Graduate” (ahh que saudades da Mrs. Robinson!), “Little Big Man”, “Papillion” (No Papillion o papel principal é de Steve McQueen e o Hoffman faz o papel do falsário Louis Degas, mas rouba completamente a cena). “All The Presidents Men”, “Tootsie”, Kraemer X Kraemer e o genial “Rain Man” onde novamente rouba a cena do Tom Cruise!
Da época de 70 a 80 tenho gravado bem na memória os “Exorcista”, “A Profecia” filmes bons mas sem atores que empolgassem como heróis. E não passo o assunto sem falar do Bergman.
O Bergman era cult desde a década de 60, junto com o Hitchcock. A história era mais importante do que os atores e assim não me lembro atores importantes na obra dos dois.  Tanto é que assisti o “Setimo Selo” e “Morangos Silvestres” na escola ! No cinema, assisti ao “Gritos e Sussuros”, “Face á Face” e “Fanny & Alexander”, filmes intimistas onde emoções são dissecadas com a maestria escandinava. Eram filmes “cabeça” que nem sempre era o que se desejava naquele momento! Hitchcock não, eram filmes de intrigas, mistério e suspense, com alguma conotação política. “Psycho”, “BIrds” e “Topaz” me fez admirar a obra do “mestre do suspense”. Na prateleira desses eu ainda coloco o genial Andrei Tarkovsky. “Solaris”, “Stalker” e “Nostalgia” são filmes que não ficam devendo nada ao Bergman ou ao Hitchcock.
Mas vamos voltar aos heróis. Meus heróis do divertimento eram Gene Wilder, Marty Feldman, Zero Mostel, Mel Brooks e Richard Pryor, depois vieram Eddie Murphy e Chris Rock e Martin Lawrence. Mas o melhor ainda foi Dudley Moore. 
Na “segunda onda” tenho que falar do John Travolta que começa no “Saturday Night Fever” de 77, faz um monte de filmes chatos e volta a cena principal no fantástico Pulp Fiction em 92. Nessa segunda onda ainda temos Harrison Ford que aparece no fantástico “Appocalypse Now” numa ponta, é escalado para o papel de Han Solo em “Starwars” e Indiana Jones, o nosso herói supremo de toda a história do cinema moderno. Robert Duvall é herói, fez filmes memoráveis, mas nunca com o destaque que merecia. Harvey Keitell, Kevin Bacon e outros vão no encalço dele, e olha que nem falei de William Hurt. Mas também estou sendo injusto com Morgan Freeman e Samuel Jackson!
Anthony Hopkins, esse é herói MESMO, para mim surge em “Juggernaut” no esteio dos filmes desastres 73-75. Depois o revejo em “Vitoria em Entebbe” filme sobre o seqüestro de um avião na Etiópia. Ele faz o “Elefant Man” em 80 e aparece do lado do Mel Gibson no “Bounty” em 82. Mas é em 91 no “Silencio dos Inocentes” onde o Hannibal Lechter consagra esse verdadeiro monstro da interpretação. Depois faz “Nixon”, “Picasso” e mais “Hannibal”.
Da terceira onda, temos os Richard Gere que nos cativou no “Na Officer And a Gentleman”, “American Giggolo”, “Breathless” e “Mr, Jones” não sem mencionar “Uma Linda Mulher”, Gere cativa mais pelo elemento sex-appeal do que realmente a capacidade de interpretar. Mas me rendo, é herói.  Temos nessa leva o Mel Gibson que começa no “Mad Max”, “Gallipoli”, “The Bounty”,”Maquina Mortifera” e o maravilhoso “Braveheart”, sim Gibson é grande (na tela). 
George Clooney, o heroi do ER da televisão aparece no “Drink No Inferno” onde Selma Hayek rouba a cena. Faz o “Pacificador”, “Alem da Linha Vermelha”, “11 Homens e Um Segredo” e “Syriana”. Herói  com todas as letras.
Tom Cruise é um capitulo á parte, onde para mim começa no “Risky Business” (filme com a trilha do Tangerine Dream). Pouco depois faz “A Lenda” (também trilhado pelo Tangerine Dream), explode para o mundo no “Top Gun” e apartir daí só aparece em blockbusters. Carreira bem gerenciada é isso aí. Ainda sou da opinião de que jamais deveria ter feito “De Olhos Bem Fechados” pois esse filme foi pesado demais para a cabeça dele. Perdeu o casamento ali.
Brad Pitt, dizem que é cria direto do Paul Newman.  Pode até ser, para mim se torna um herói quando faz “Thelma e Louise”, e consolida a fama no “Kalifornia” e “Entrevista com o Vampiro”. “Sete Anos no Tibete” e “Seven” são filmes antológicos.
Agora vamos combinar, falar de cinema sem falar do James Caan é covardia. Destaco aqui o “Thief” que vi no Cinema Ryan em Copacabana. Caan aqui faz o que McQueen teria feito se estivesse vivo na época. Acho que em 82, por aí. Passamos pelos Stallones e Schwartzneggars para chegar no Bruce Willis e ainda passamos pelo Steven Segall. Bruce Willis é um pouco difereciado porque, por mais canastrão, é herói e nos divertiu no “Duro de Matar” além de “Nova Iorque Sitiada”, “Os 12 Macacos” e “Pulp FIction”. Willis tem a larga vantagem de herói por ter sido casado com a Demi Moore (não pude deixar essa em branco!)!
Abro um parêntese aqui para voltar lá atrás na década de 70. "Ratinho” de cinema. A justificativa? Alem de ver bons filmes e aprender sobre a arte, havia sempre a esperança de uma ceninha de nudez (adolescente, fazer o qué né?). Acho que foi a  Laura Antonelli que me proporcionou esse primeiro visual na telona no “Malicia” de 73. Nathalie Wood, e Dyan Cannon me proporcionaram esses momentos ao longo da década de 70. Mas em  77, a Laura Antonelli faz “Esposamante” e me rendi apaixionado. Com a mesma paixão que tinha me rendido à Maria Schnaider, anos antes. No meio, havia Rachel Welsh e claro, a Bo Derek. 
Volto aos que representam o herói, cada um de uma forma, para encerrar: Michael Caine, com carreira de altos e baixos mas com filmes sensacionais. Em “Educating Rita” ele coloca todo o talento para fora, veio no esteio do “Dressed to Kill”. James Garner fez faroeste até dizer chega, levou o legado Wayne a diante. Esse é “machão” da escola antiga. Rutger Hauer, abençoado ao ser escalado para ser o Androide Roy Batty, e faz do lado do Harrison Ford um dos maiores filmes de todos os tempos. Só para lembrar, fez pouco depois, o “Feitiço de Áquila” que até hoje é filme cult. Finalizo com o Clint Eastwood,  porque ele é “O Herói”. A fama começa no papel de Harry Callahan em “Dirty Harry”, e a ele já havia feito uma penca de “westerns”, anos antes. Passou a fazer filmes cada vez mais violentos. Mais tarde fez “Fuga de Alcatraz”, menos violento e interessantíssimo. Fez “Bird” filme sobre Charlie Parker. que lhe rendeu a aclamação suprema. Fez “As Pontes de Maddison”, que foi um mega sucesso. Clint fez de tudo no cinema, é o nosso herói absoluto completo e perfeito. 
Lunarscape é um músico enólogo carioca, que é médico por inconsistência do destino. 
Arquivo:
UM BRINDE, UM JANTAR A DOIS
 

8 comentários:

  1. Peço até perdão pode deixar de fora comentários e citações sobre os brilhantes Tom Hanks e Michael Douglas. Foi a pressa de escrever a matéria e o devaneio que originou esse bloqueio. Giancarlo Giannini, Ugo Tognazi mereciam mençõs honrosas, como o nosso querido Charlie Sheen, Andy Garcia e alguns dos Baldwins.
    Ufaaaaaaa.

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  2. Lunar
    Menino você passeou por vários cinemas da minha adolescência e por muitos dos meus ídolos. Você passou batido pelo Steve McQueen, o meu primeiro herói de O canhoneiro de yang tsé, Crown o magnifíco e de papillon. Sei que cada um tem a sua lista, mas se eu falo de cinema em geral não posso esquecer de barbra streisend que me fazia rir, chorar entre seus dramas, comédias e musicais.
    brigadim por este passeio.

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  3. Que viagem, Doc!

    Imagina se eu vou contar que o primeiro filme que vi no cinema foi Marcelino Pão e Vinho! De jeito nenhum, que conto isso. Mas posso confessar que ninguém, no elenco, virou herói pra mim. Não "desse porte" aí, narrado pelo Doc. hehe

    O Iluminado me fez repetir a cena do velotrol - que eu pegava das vizinhas menores - muitas vezes. Adoro a cena, até hoje. Assisti, assim como Papillon, Alcatraz e O Estranho no Ninho, num cinema, Cine-Teatro Vera Cruz, que passava reprises de dia, e pornô à noite. Quando eu tinha 12 anos, já era do tamanho que sou hoje (se é que me entendem) e entrava em qualquer filme. Mas não ia aos pornôs, registre-se.

    Vi Calígula com meu pai. Bem... foi traumatizante, rsrs.

    Agora, herói, o primeiro que me lembro - apesar de não ter gostado do filme - foi Rock. Só gostei da trilha sonora. E Jaws, lembro-me do meu irmão mais velho me acordando no meio da noite, aos berros, dizendo que tinha um tubarão no corredor, indo pro quintal. Tentando me fazer medo, apesar de eu não ter ido ao cinema: eu nem tinha 6 anos, ainda. Ele, 18. Vi, também, no tal cine das reprises, alguns depois.

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  4. MIrthes e Velvet, Realmente é muito "viagem" relembrar praticamente tudo que o cinema me proporcionou de bom nessa vida.
    Lembrei de o "Comboio Do Medo" com Roy Schnaider. Filmaço. E novamente fui injusto com outro filmaço: Derzu Uzala ! Esse vi diversas vezes, sendo a ultima no CIne Pax em Ipanema, na ultima sessão daquele cinema, em prantos !
    Velvet, tinha um cinema em Jardim Botânico que durante o dia era programação normal, mas depois das 20 hrs era "só alegria"! Meses e meses ido para Jardim Botânico ver "Emanuelle" rsrsrsrsrsrs.
    Bjsssss

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  5. Quantos filmes bons foram citados aqui!
    Eu gostava muito de ir ao cinema mas tenho ido cada vez menos , talvez por excesso de trabalho, talvez porque o estilo de filmes atualmente não me atraia tanto.
    Quando Clint Eastwood lança alguma coisa, vou correndo.
    Gostaria de lembrar aos amigos mais dois filmes muito bons:
    1) "Sonata de Outono"

    http://www.imdb.com/title/tt0077711/

    2) "A Festa de Babette"

    http://www.imdb.com/title/tt0092603/

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  6. A Festa de Babette é um espetáculo! Imagina, para mim que adoro cozinhar...

    Mas os melhores, para mim, são os suspenses. Apesar de recente - já que falamos mais dos clássicos - O Sexto Sentido me marcou porque não consegui sacar o fim, antes do fim.

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  7. Se eu falar da "Festa de Babette" eu choro...assisto SEM LEGENDA ! ;)

    Tampouco vou tanto ao cinema hoje porque ficou restrito á shoppings e a "magia" tá muito escassa atualmente. Para ver um bom filme há de se garimpar muito e me RECUSO assistir filmes que tem os tais "recursos" eletrônicos e digitais.

    Lunar

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  8. Sandra Sallee30/07/11, 14:51

    WOW !!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Nada a acrescentar MESMO !!!
    Magnifico texto !!!
    Fiz uma longa viagem ao passado !
    Thanks Mestre !

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