sábado, 2 de julho de 2011

R.I.P ITAMAR FRANCO 02.07.2011


Em 1992, logo que Itamar Franco assumiu a Presidência, depois que Fernando Collor de Mello favoreceu o país com sua ausência (e, convenhamos, ai, ai, ai... Nenhum de nós poderia imaginar que ele, Collor, seria troco, perto do desgoverno das Trevas do Expirado e et cetera a sua continuação), fui trabalhar na Câmara dos Deputados. No meu primeiro dia de trabalho, fui a uma audiência no então Ministério do Bem Estar Social, com o deputado Jutahy Magalhães Junior (PSDB/BA), o ministro da pasta, no governo Itamar. 

Em meu segundo dia de trabalho, fui a uma audiência com Itamar Franco, em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Dois dias que me marcaram, uma vez que eu não sabia bem o que esperar, muito menos, o que  me esperava, naquele trabalho. Dois dias que me mostraram muitas coisas. Inclusive, quem eu poderia seguir admirando, até hoje.

Eu gostava do Itamar. Achava - confesso - meio pândego, do tipo que tem boa vontade, mas não sabe muito bem o que fazer com ela. Não sei se eu tinha razão, confesso isso também, porque essa imagem, ainda a trago comigo. Mas Itamar teve, para mim, uma importância ímpar: saímos do governo-desastre de Sarney, caídos de expectativa pelo Caçador de Marajás Com Aquilo Roxo das Alagoas, o presidente-camiseta, o cara que inaugurou a era do poder absoluto do marketing - e não da política - acima do voto, com as  fofocas, escândalos, irmão, tesoureiro, mulher complicadinha, enfim, o pacote todo de Collor, e ganhamos um presidente.... bem Itamar Franco. Naquela onda ufanística de caras-pintadas, como se tivessem sido esses os responsáveis pela queda de Collor, e não a própria política praticada conforme ela é, o Brasil poderia facilmente, descambar para o desastre absoluto, remember José Sarney. Itamar Franco soube conduzir uma situação que não era nada fácil.


Sem Itamar Franco, não teria existido o Plano Real. Não importa, aqui, quem é pai, mãe, padrasto ou amante do plano. O fato é que, mesmo uns, Itamar incluso, desconfiadíssimos dele, temerosos e outros que tais, ele era o presidente, e a palavra final, sua. Foi ele quem se cercou da sua equipe, de forma a terraplanar o terreno. Quem pavimentou a estrada, de forma a diminuir os atropelamentos. Sem Itamar, e seu governo de 1.992 até 1994, quando entregou a Faixa Presidencial a Fernando Henrique Cardoso, em primeiro de janeiro de 1995, não teríamos tudo o que foi efetivamente construído por este último.

Envolvida nas políticas nacionais, apesar de mineira, e nas do estado com que eu trabalhava, na ocasião em que Itamar foi governador, acompanhei muito pouco seu trabalho no cargo. Lia pouco sobre o estado, era mais de ouvir falar, conversando com amigos e familiares. Metade gostava, a outra não, e ainda havia o folclore. Estava lá, o "meu" pândego.

Agora senador, Itamar Franco estava me agradando bastante. A mesma fala, o mesmo jeitão, um pouco menos pândego, para minha tristeza, mas só de aporrinhar José Sarney, e fez isso com maestria, já teria valido meu voto, caso eu fosse, ainda, eleitora de Minas. E sim, eu teria votado nele. E não teria sido o segundo voto. Se é que me entendem.

Perde o Senado, perdem Minas e o Brasil, porque apesar de ter concordado com a chapa, e obviamente, isso não depõe a seu favor, seu suplente, Zezé Perrella, não é bem o tipo de político que dignifica a Casa, o estado e o país. E olha que sou cruzeirense. Eu já não ia com a cara de Zezé, como não vou com a cara de quase nenhum cartola de futebol, quando foi deputado federal - e lá estava eu naquela Câmara dos Deputados, principalmente, ouvindo, de pertinho, da melhor forma como se fica sabendo das coisas: nos bastidores. Empobrece mais ainda o já pobre Congresso Nacional. 

Depois de Eliseu Resende, ano passado, também grande perda para Minas e o país, depois de Paulo Renato, há alguns dias, e agora Itamar, só me resta concordar com BSchopenhauer, quando ampliou meu pensamento de que o diabo não gosta de gente ruim perto dele. O inferno, é na Terra."Estepaiz é uma espécie de laboratório experimental" do Capiroto. Deus leva para si, as pessoas que tem valores melhores. Os bons exemplos. Os que fazem, executam, honram suas ações. Aqui e acolá, ficam, empobrecendo e apodrecendo a vida, o lixo da humanidade. E já que Itamar Franco foi-se, e isso é imutável, que seja ele o Ratzemberger* do tiranete dazesquerda festiva da latino-américa, o Chapolim de Miraflores.  

Que Itamar Franco descanse, em paz, e que sua memória seja honrada. Porque de uma coisa, tenho certeza: muito mais honrado que José de Alencar, o outro político mineiro recém-passado para a outra vida, isso, Itamar foi. Apesar do endeusamento daquele pela petralhada que ele próprio serviu.
*O austríaco Roland Ratzenberger, piloto de Fórmula Um, foi morto num acidente durante o treino para o GP de Imola, em 1994, exatamente na véspera da morte de Airton Senna. Por isso, quem vai de véspera... 

3 comentários:

  1. Lindo texto,Rê!

    Conforme vc foi desenrolando o assunto,fui vendo pedaços da história passando em frente aos meus olhos...

    Nem sei se tive vontade de sorrir ou chorar!

    De rir,por lembrar q ainda havia alguns homens dígnos e valentes;tb por sentir a força q a juventude deu ao movimento de reação à bandalha!

    Mas tb vontade de chorar,por sentir q essas coisas sumiram,se diluíram no desenrolar da história no meio desse tenebroso governo das trevas...
    E, temos q pensar: o que sobrou disso tudo?

    Dói no coração ao ver q o país está contente c/ o dito "Pão e Circo"

    Dá mta vontade de chorar, pq eu não encontro a porta de saída...
    Vc tem ideia de onde ela fica?

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  2. engraçado que sempre tive esta mesma impressão sobre o Itamar. Adorava quando ele vinha ao Rio. Cobri Itamar era uma bem-humorada aula de política e ironia fina. isto sem falar que a gente nunca conseguia prever o que ele iria fazer ou falar.ou até calar.

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  3. Belo texto!
    Mas uma discordância: Ratzemberger* não estava para Senna o que Itamar estaria para o Chapolim de Miraflores.

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