sábado, 9 de julho de 2011

A SEMANA


Blogs. A gente sabe o que são, porque pensa que sabe: estão presentes em nosso dia-a-dia, de todos nós que utilizamos as rodovias da World Wide Web. Mas, de tão presentes, acredito mesmo que essa sua definição passe desapercebida. A original, quero dizer. Blog é a contração do termo em inglês Web log, diário da web, ou, diário virtual. Seu formato permite atualização rápida, os posts são em ordem inversa, sendo o último, sempre o primeiro, e isso dá a cara de diário, mesmo. Nesses nossos tempos, os blogs ultrapassaram esse conceito original. São fonte de informação - alguns, com seriedade e competência jornalística mesmo - de opinião, de debates. Quando iniciei o Veneno Veludo, foi com o objetivo puro: ser um diário, virtual, pessoal.

De certa forma, o Veneno Veludo continua sendo um diário pessoal. Não é um blog de notícias on-line. É um ponto de encontro, onde internautas amigos sabem que encontrarão, todas as noites, um poema, mas encontrarão, principalmente, opinião. Opinião pessoal, independente de quem seja o autor do post. Como me disse, certa feita, o "sócio do blog", BSchopen, o Veneno é a minha essência. Tento, e sei que às vezes consigo, em outras, não como gostaria, oferecer essa opinião pessoal, de forma inusitada. Quando possível, de acordo com o tema, até mesmo de uma forma divertida. Quase sempre, contundentemente irritada, pela cena política que se descortina no palco da vida, e faz de nós, seus mamulengos. Para isso, sirvo-me de parcerias incríveis, mentes privilegiadas, que me dão um baita orgulho, não só por poder publicá-los, como de poder afirmar: são amigos, com lugar especial em minha vida, cada um deles, à sua maneira. E novos parceiros, que parece, estão chegando, de mansinho: somos uma salada 'mixta' de palavras, sons, pensamentos, opiniões, ritmos, com algo em comum, além do posicionamento político: o prazer pela escrita e pela comunicação com outros. 

Isso posto, valho-me da prerrogativa de "dona do boteco", ou, de dona do diário virtual, para, agora, bater um simples papo com você. Pessoal. Dependendo de como você me vê,  principalmente, de como você encara suas próprias desgraças e, se não se auto-enganar, as suas auto-críticas, antes de ler, prepare o lenço. Ou a pipoca (com Coca-Cola, porque "golpista reaça" não bebe 'brasilidades' com gosto de bílis, tipo guaraná). No fim, espero que se divirta com minhas desventuras. Mesmo que seja manteiga derretida e dê uma choradinha comigo!

No início da semana, tuitei: "semaninha f.d.p. me espera, pela frente." Não fazia a menor idéia do quanto foram profeticamente exatas, tais palavras. Seria uma semana puxada de trabalho (quase que um campo de concentração de trabalhos forçados) mas, enfim, só isso. Começou mal, com os resíduos da semana anterior: eu, sem rumo, numa determinada questão que depende de um advogado que, praticamente, me obrigou a ser pão-dura, ao me cobrar um valor extorsivo por uma ação que eu mesma (sem o menor conhecimento jurídico) rascunharia num guardanapo de papel, num boteco, com a caneta emprestada do garçom, ainda! Adiamento de um problema - mais um adiamento - pela frente, e isso me mata. Sou de ação, não de espera. 

Seguiu-se uma série de coisinhas de trabalho, que não cabe aqui elencar. Outras, de ordem estritamente humanas, tais como inseguranças pessoais por sentimentalismo, sempre em vão. Preocupações com essa ou aquela pessoa, por esse ou aquele motivo. Normal, todo dia, todo mundo convive com isso. Outra coisa normal é ter passado, nesses dias, por aquele presentinho restrito às mulheres, a tal da cólica menstrual, que resolveu ser bem pior: sensação de um tridente do demônio, em brasa, perfurando-me o útero. Achou forte e desagradável, ler isso? Pois imagine aí o que seria se sentisse isso! Remédio nenhum deu jeito. Nem potencializado pelo anti-inflamatório que voltei a tomar, por conta de dores intransponíveis no ombro direito - maldito computador, mouse, etc.

Vamos somar a esses pequeninos dissabores cotidianos, o cenário político em ebulição. Não me prenderei a narrar os fatos aqui, por desnecessário. Todos sabem o quiprocó que foi no desgoverno da Idade das Trevas, esses últimos dias. O efeito disso, apesar de euzinha já saber - e como os outros coleguinhas do blog também sempre afirmamos - que nada de bom poderia surgir dessa desgraça chamada versão III do desgoverno petista, a gente se chateia. Porque não vê perspectiva. Porque sabe que o Brasil ruma para uma trajetória patética. Porque no fundo, a gente queria mesmo era ser desmentido. Mesmo sabendo ser impossível, a esperança é a última, coisa e tal.   

Aí, eu bati o carro. Assim, de uma vez. Sem aviso prévio. Do jeito que contei agora, como uma mudança brusca de assunto! Nunca antes nestepaiz, eu me vi envolvida em algum acidente de trânsito. Em que pese a quadrúpede ter parado numa curva, na subida,  preferencial sendo 'nossa', de forma que seria impossível (para qualquer motorista com cérebro) simplesmente não seguir o caminho, em frente, livre, sem qualquer outro veículo sequer na faixa ao lado, esta que vos fala estava atrás da comedora de capim, e cometeu o terrível erro de acreditar que todo mundo que se senta atrás de um volante sabe o que está fazendo: a figura parou, não sei por qual motivo, sem sequer acender a luz de freio.  E eu, não parei. Pow. Bateu. Fiquei arrasada. Pela minha burrice. Estava escrito que a criatura à minha frente era do tipo perigoso. Não me perdôo e pronto. Não vou nem comentar o tal "estudo científico" que rolou essa semana, que mulher no volante é perigo constante. Eu, não sou. Não era, mas estou duvidando da minha capacidade de julgar as capacidades alheias. 

Passei mais de 40 horas acordada. Por conta disso e de outras coisas consequentes, que não vou narrar - mas que são de ordem de não ter o tipo de suporte moral que alguém necessita nessas horas - e me senti um zumbi. Numa vontade desgraçada de me sentir miserável. Mas ninguém me permitiu. Queria me jogar na cama, chorar, me debater, gritar, descabelar, fazer alguma grande besteira, mesmo. Nada. Fiquei contida. Chorando pra dentro. Sozinha. 

O consolo veio quando a quadrúpede ali acima, se achando no direito de exigir o carro consertado em 24 horas (sim, vou acionar o meu seguro) resolveu cair na besteira de me pressionar, na quinta a noite. Teve que ouvir "minha filha, só terei tempo no sábado, se estiver com pressa, se vira e me esqueça". Foi algo assim. Mas a cereja do bolo foi quando, ela, emputecida por nada, cismou de se passar por valente, dizendo que tinha que devolver o carro porque o pegou emprestado. Caí na gargalhada. Ela perguntou se era crime. Lógico que não, filhinha. Admiro é sua cara de pau de pegar o carro de outrem, não sabendo dirigir, como você não sabe. No fim, quando não resisti e perguntei se, ao menos, tinha habilitação, ela, ingenuamente (não me conhece) perguntou: "onde já se viu alguém dirigir sem carteira". Teve que ouvir: "Verdade. Esse DETRAN é uma bosta. Dá carteira pra qualquer um, mesmo que não tenha aprendido a engatar a primeira marcha".

Não sei como está a figura, hoje. Eu, nesta noite de sábado, depois da derrota (empate com o Paraguai não é empate) da Seleção Brasileira, na Copa América, e tendo que ser mãetorista à meia-noite, sem poder nem afogar-me num copo, por tudo isso,  estou com dor de cabeça. 

Bem, eu tenho um blog. Um diário virtual. Nosso porta-malas, como sentenciou a cronista do cotidiano, a Marcinha/Mirtes Guimarães. Desabafo. Sei que alguém há de ler. Rir ou se zangar comigo. Ela, a cavalgadura com habilitação para dirigir, deve estar aporrinhando o marido, que, por ela já ter batido (ela confessou) recentemente, duas vezes, provavelmente olha e diz: "se vira..." 

Amanhã é domingo. Sabe o que vou fazer? Trabalhar.

Tem coisas muito piores? Claro que tem. Parece insensível? Pode ser. Mas estou falando de uma semana na minha vida. E que não tem, como nenhuma outra vida tem, a obrigação de ser pior do que a de outros. 

8 comentários:

  1. Minha nossa senhora. Dr Evil ja mandou chamar o padre para jogar agua benta aqui no computador. Dr Evil receita para voce um bom pai de santo!!!

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  2. Oi amiga! Junto c/ os problemas creio q vc está deprê,né não?

    Quisera poder ajudá-la,pois vc é uma pessoa mto querida!

    Palavras nem sempre ajudam, mas volto a repetir o antigo ditado:"Não há bem que sempre dure,nem mal que nunca se acabe"...

    Se servir de consolo,pense nesta frase e que, se Deus quiser,daqui a pouco, tudo vai estar nos conformes de novo!

    É o que desejo a vc, de todo meu coração!
    Beijinho carinhoso!

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  3. Querida Regina

    Você não tem um desejo as vezes insuportável de possuir aquele flash de MIB, homens de Preto?? Simplesmente um clarão, e pronto.
    Eu, que tenho minha filosofia de vida baseada no conceito Murphyniano de que devemos sorrir,pois amanhã certamente tudo sempre será pior e que não há bem que sempre dure te digo; não esquenta, não abaixe a cabeça, se a vida lhe der um soco, chute as bolas dela!!!
    A vida não tem sentido, somos nós que fazemos isso, todos os dias, todas as vezes, nós e que definimos o que vamos fazer, ainda que o acaso e as coincidências participem do processo.
    Pessoas como você me lembram Aquiles; Angustiado, ele pergunta a mãe, que tem o dom da profecia, o que seria sua vida se fosse a Troia, ela responde que seu nome seria reverenciado através dos tempos, lembrado como um grande herói. Gerações contariam lendas , e sua coragem inspiraria os homens através dos tempos. Caso não fosse, conheceria uma bela mulher, se casaria, teria filhos, que teriam outros filhos, ele teria uma vida bem além da de um ser humano comum, seria amado e idolatrado pela família e assim morreria. Seria ainda lembrando por muito tempo, mas inevitavelmente, como qualquer ser humano comum, seria esquecido.
    O enorme orgulho que tenho por você e muitos dos nossos amigos do mundo virtual é impar. Escolheram ir a Tróia ao invés da vida comum e covarde, escolheram combater, mesmo sabendo que veríamos e sentiríamos coisas terríveis, escolheram enfrentar um mar em fúria, atravessar o oceano fara fazer um cerco em terras estranhas contra um exercito rico, poderoso e sem escrúpulos. Sequer sabemos se está luta irá nos beneficiar, mas deixaremos exemplos as outas pessoas.
    Sorria Querida Regina, temos nossas Troias, e mesmo perdendo algumas vezes as pequenas batalhas da vida, lutamos o bom combate.
    Não se pode pedir mais ....

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  4. Que semana cansativa!
    Passei uma semana parecida em março...além de muitas outras semanas pesadas, envolvendo preocupações com pacientes operados.
    As preocupações me tiram o sono mas ainda bem que nunca tive cefaléia e nem mesmo cólicas.
    Estas duas coisas chatas potencializam qualquer outra incomodação.
    Ainda bem que já passou,tudo sempre passa.

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  5. Sandra Sallee10/07/11, 22:54

    Welllllll.... Tive ate que abrir 1 garrafa de vinho quando vi o tamanho do post .
    A dona do boteco me permite ?
    Concluindo que temos algos em comum como gostamos de agir e nao esperar .
    Um corpo em movimento ha que mover o cerebro . Ao contrario de 1 carro qdo guiado pelas ditascuja que obrigou vc a bater na traseira dela .
    Ja que vc teve que trabalhar no domingo , so vale ficar esperando que a semana passe rapido , e que na sexta vc possa sentar com seus convidados no SEU BOTECO ...mas ai , os dias de pagar as contas chegam mais rapido tambem .
    Ainda bem que tenho meu vinho e so preciso teclar e nao dirigir ...
    Sorry Girl !!! Mas outra semana esta apenas iniciando .
    Se pode servir de consolo ....

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  6. kkkkk
    se você estivesse no Rio já a teria levado nos capuchinhos na sexta e no terreiro no sábado. como além de não estar, eu também estou alguns dias atrasada neste post, só posso esperar que tudo tenha se arranjado bem. e claro que lembrá-la do poder libertador do f-se! às vezes, só nele e no álcool há solução.

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  7. Marcinha, eu preciso de um botão de phoda-se, para apertar. Onde compra? rsrs. Jocas!

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  8. Sandra, baby, só por tê-la aqui, e comentando, vale qualquer semana!

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