sábado, 30 de junho de 2012

CONTRATO COM O HUMOR


Humor remete à alegria, e vice-versa. Não necessariamente no sentido de que, quem tenha um, obrigatoriamente tenha os dois. Ambos subsistem sozinhos, sem o outro. Mas são faces de uma mesma moeda. Não trato da alegria, cá nesta reflexão, com base no conceito filosófico da felicidade. Filosofia não é, nunca foi, e apesar do mergulho nela, nunca será algo que ouse discorrer. Trato da alegria comum, prática, do cotidiano. E do humor. Prático, do cotidiano. 

Diferente da alegria, humor não é algo comum. Alegria é um estado de espírito momentâneo, rápido, tipo fast food, para consumo imediato. Democrática, assim como o resfriado, alegria dá em qualquer um, a qualquer hora. Humor não. Para "dar em alguém", é preciso ter pré-requisitos: inteligência, raciocínio - rápido - e capacidade de verbalização. Humor não sobrevive em placa de petri politicamente correta. A ditadura do politicamente correto é, como toda imposição de teoria esquerdista, chata, pernóstica, pedante, arrogante, engessada. pobre e estúpida. Por óbvio, só "dá" ou só "pega" em quem não consegue pensar por si.

Um sábio analisa a si próprio  e ri de si próprio. Essa é a base do humor, pois este, sem ser o grosseiro e grotesco, manifesta-se primeiramente em divertir-se com leveza a partir da auto-crítica. O humor ao analisar o cotidiano à sua volta é tão somente reflexo do auto-conhecimento profundo, de si para o mundo exterior. É um bem que deveria ser desejado, todos deveriam querer adquiri-lo. 

Quem exerce seu humor não é encadeado. Não tem algema, chave, trava ou tramela que lhe estorve, tolha, interponha, impeça. Só pode ser amante e defensor da liberdade. Nem na desgraça, se perde. É justamente nela que se mede a outra grande força do universo: a liberdade do espírito, que julga o valor moral do desastre, destarte a superá-lo. 

Alegria e humor podem ou não vir com uma gargalhada. E às vezes, vêm sim. E como é gostosa a gargalhada! Seu som, seu eco... e sua lembrança. Alegria sem causa, que mau humor de terceiros, nem aqueles com suas "almas" perturbadas, subvertidas de autorregulação em sua própria maldade, é capaz de derrotar: esse bom humor é prazer honesto de se encontrar sobre pés descalços, sob alma despida. Humor genuíno é o prazer brutal em destruir o tédio. 

Humor nas palavras escritas, lidas, escancara um traço que fica escondido e aos menos atentos passa desapercebido. Humor nas palavras, ditas, ouvidas, aí já é privilégio, para bem poucos! Porque humor que dissemina alegria, é prerrogativa da sinceridade. E sinceridade é valor raríssimo, hoje em dia. Obrigada, Céu Acima de Mim, por este privilégio: privar do humor escrito, ouvido e dito, que me faz sorrir todo santo sagrado dia, mesmo se acaso eu chorar!

Alegria, inteligência, liberdade, prazer e sinceridade. Nossa, se você vê tudo isso em alguém, fique tranquilo: só pode se tratar de uma boa pessoa. Daquelas que, ao nascer, antes da Certidão do cartório, firma-se com e para ela um contrato eterno com o humor.

Don't Worry, Be Happy. Sim, sim, sim... eu tenho esse peixinho-cantor aí abaixo. Sim, sim, sim, tem um motivo para eu ter escolhido, justamente o peixe, para representar, musicalmente, este post. E tenho dito!



Reedição de post publicado há um ano, com pequenas alterações. O vídeo do peixe-cantor é o mesmo da postagem original. O motivo de sua escolha é o mesmíssimo. E o motivo pelo qual não vou contar o motivo, idem. Algumas coisas, mesmo quando mudam, continuam as mesmas e mudam para melhor!

5 comentários:

  1. que fofo!
    Tudo bem, eu confesso que pode ser até por causa própria, mas eu adorei o texto. Bom-humor é tudo.É que nem álcool,fora dele não há solução.

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  2. Parabéns, Rê.
    Perdoe-me discordar. Vc "filosofou socraticamente".

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  3. Chumbo! Vai ver, foi a inspiração...

    Sobrenatural, isso, hehe.

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  4. Marcinha, coberta de razão. Não há, nenhuma, fora deles.

    Mas olha, foi em causa própria de todos nós. Somos muito bem humorados, porque somos inteligentes, rsrs. Uns, têm bom humor às claras. Outro(s), disfarça(m) muito bem: quase convence(m) que não tem bom humor!

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  5. Regina... Regina...


    Re-gi-na!!!

    Fabio_Ferro1

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