segunda-feira, 25 de julho de 2011

UMA ARTE SEVERA


Hoje é Dia do Escritor. Tem dia para tudo nessa vida. Nestepaiz, então....

Qualquer um que escreva, é escritor? Ou só aquele que é editado, publica, vende e é reconhecido? É bem verdade que ser escritor é a única profissão em que não se é ridicularizado por não ganhar nem um centavo com ela. Pode-se morrer pobre, com orgulho. Não é um trabalho, então, já que escrever, ao menos no meu caso, não dá dinheiro algum. É um ofício severo. É um luxo, uma necessidade. É um alento. Um porto seguro, sempre.

É solitário: ler é solitário, escrever também. Mesmo assim, é uma solidão com o poder imprescindível de aproximar as pessoas. O escritor é um amigo próximo, que está além dos limites do tempo e da distância. Tem a capacidade de nos falar com muita intimidade a partir de uma folha de papel (ou da tela de um computador). Nesse sentido, podemos afirmar que ninguém está sozinho no mundo se tiver um bom livro à mão - ou um iPad, para sermos bem modernos...

A leitura é uma aventura do conhecimento que não tem fim: a porta continua sempre aberta. E é inevitável, todos os que sentem prazer na leitura acabam por descobrir prazer na escrita. Isabel Allende disse que escrever é como fazer amor: não se deve preocupar com o orgasmo, e sim com o processo. Já recomendei essa máxima a quem incentivei a escrever - mais do que 140 caracteres - e recebi de volta, a afirmativa: "preocupo-me com o processo". E assim como no orgasmo - não assim, "assim", se é que me entendem, mas vale a analogia - saber disso me deu um enorme prazer.

Todo o processo da escrita deve ser permeado de prazer, e sem dúvida, o prazer começa no hábito da leitura. É um ciclo, e ele não sse fecha nisso: quando descobrimos que alguém sentiu prazer ao ler o que escrevemos, é muito bom! O que escrevemos é um reflexo do que pensamos, do modo como vemos o mundo, e do que extraímos, em reflexões. Da opinião que temos sobre o que somos, em essência, e da coragem em expor tudo isso. Quando escrevemos, legamos ao leitor uma parte importante dessa essência, nos dividimos, nosso interior, por assim dizer, com ele. Proust disse que para escrever uma boa história, não é preciso inventar nada pois o bom escritor já as tem dentro de si, basta saber traduzir.

Para escrever há que ler, sempre. Outro escritor, Jorge Luis Borges, sobre a mesma arte, afirmou que "chega-se a ser grande por aquilo que se lê, não por aquilo que se escreve". Se não for escrever nada hoje, então, leia. Hoje e sempre. Você homenageia o escritor, lendo-o. E se torna grande. Ler, então, é mais generoso do que escrever. 

Aos "meus" escritores, sazonais, ocasionais, e aos assíduos, parceiros e cúmplices: valeu!!

Arquivo:

(P.S.: Não tenho o nome da tela, nem o(a) autor(a) da obra. Se alguém souber, com a fonte da informação, me informe, nos comentários, por favor. Obrigada!)

6 comentários:

  1. Sérgio Manchester25/07/11, 14:49

    Tirando o Momento Marta Suplicy, o artigo acerta em cheio no objetivo. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, mas isto é algo que eu discordo. Prefiro o raciocínio inverso. Uma imagem sempre tem uma estória por trás, que vale a pena ser contada. As palavras de um texto, ou de um livro, fazem-me pintar essas imagens na minha mente, e portanto, passo a ter ao mesmo, imagens e palavras, num casamento perfeito. E só um Escritor, com E maiúsculo, tem esse poder. E a autora deste artigo tem... sempre.

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  2. Existe uma diferença entre escritor e escrivinhador. O primeiro põe em letras, idéias e valores que hão de ser reconvertidas no ponto final dos olhos de seus leitores. A segunda categoria "avoa" num papel um monte de sinais gráficos e pronto.
    Você se enquadra na categoria 1.

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  3. Não sofro de falsa modéstia, nem de modéstia alguma, mas os senhores Sergio e Cacique sofrem de generosidade exacerbada. Jocas!

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  4. Oba, consegui entrar direto aqui a tempo de ler esta bela homenagem aos escritores e leitores.
    No mais fico com Oscar Wilde que dizia que não há livros imorais ou não. O que há são livros bem ou mal escritos.
    E adoro seu jeito bem-humorado de escrever.
    beijim

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  5. Querida amiga, pessoalmente lhe agradeço de coração por ter acreditado nas minhas "escribas", e em muitas vezes incentivando me a escrever mais e mais. Sim, acabei por tomar gosto de escrever.
    Assim lhe sou super grato pelo espaço cedido.
    Escrever é uma arte que nasce no desejo de se comunicar, ideias, abstrações, devaneios, enfim, colocar ás claras, ou nem sempre muito claras, sentimentos, opiniões, experiencias pessoais ou não.

    - Um intelectual diz as coisas simples de maneira dura. Um Artista diz as coisas duras, de forma simples.
    "Charles Bukowski"

    Lunarscape.

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  6. Olá,Rê!
    Só tenho que concordar c/ a Maninha Márcia:seu estilo bem humorado de escrever é delicioso!
    Abç!

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