domingo, 1 de julho de 2012

VIVER NÃO CABE EM TEORIA


Como a morte de um ser humano contribui para que outro, do bem, sinta-se diminuído, assim a vida de um contribui para dignificar a vida de outro ser. Entretanto há existências que, de tão dignas, não apenas concedem dignidade a outra. Elas justificam em essência o próprio valor da vida humana. Ao ser compartilhado, o valor da vida humana leva-nos a contemplá-la, sob o céu que nos protege, diante o sol que se deita no horizonte, à espera de mais um nascer que se realiza.

A vida como um valor absoluto sente-se honrada em manifestar-se nos gênios privilegiados. Justifica-se, alastrando seus outros valores por onde passa. É o rastro,  a marca, a impressão dos passos, do caminho que o ser percorre recolhendo e depositando, respectiva e simultaneamente, o que se é e possui de bom. Inclusive o que tiver de mal. Sem o Ser, vida não é nada pois antes de a viver ela não existe. Ser, duo, nunca uno mesmo sendo único, na busca perpétua do equilíbrio que faz com que a balança se desequilibre, enfim, sempre para o Bem. 

É o Bem que faz [o Ser] quebrar as tábuas do descontentamento no momentos de desastre na vida. É o Bem que faz avançar sobre o monte de palha na trilha, quando a vontade é entregar-se, e na palha repousar. Vida é coragem. Personalidade com distinção. Traço de poder pela natureza, sem obviedade. Simplicidade com vitória. Sobriedade com leveza. Sedução que marca e ensina. Arte bendita. Exemplo pela conduta. É equilíbro no repouso. Iluminação pelo riso. Vida é consciência. Da essência, por si, com enfrentamento pela responsabilidade. Recompensa, pela coerência com a Honra e Justiça. É incondicional  celebração.

Uma vida completa tem problema, encrenca, batalha, conquista, sofrimento, patifaria - uma dose de canalhice, mas apenas aquela metáfora divertida - bagunça, acerto, loucura - um porre na juventude, uma 'briga de mão' na universidade, uma contramão - tem porta amassada por outro carro ou lanterna que beija coluna em estacionamento - tem atropelo de galinha na estrada, tem peixe que se recusa ao suicídio, tem rede na varanda e barco no rio. Tem dor, incômodo, insônia, inflamação. Tem tendão, tem Heitor porque tem Achilles. 


Vida completa tem conforto, chá, biscoito de mãe  e pão de queijo encomendado, para o café da manhã. Vida tem cachorro, para alegrar e para se zangar. Tem criança, que perpetua o que há de melhor, devolve todo o sentido da vida e dignifica o legado do Homem que é. Tem café, livro e sono: tem travesseiro. Tem tédio, labor, sabor, decepção, fúria. Alívio. Tem palavra doada, ouvida. E palavra não dita. Tem palavra Bendita, argumento bem fundamentado, tem libelo para a História! Tem desencontro e reencontro, com encontro não marcado nesse paraíso  e tem sucesso. Busca, regresso, partida. Nunca, separação. E tem separação do que não presta - os psicodramas psicopatas da vida involuntariamente sofrida - mas prova a dignidade do caráter. É tudo na vida uma grande descoberta e complemento, cheia de regras invisíveis e muros quebrados.  Outra hora com pontes levantadas, inatingível no Olimpo da sua Glória. 


Vida completa é metáfora, mistério e divertimento. Vida completa tem destino, mas é aquele caminho construído com as mãos que sangram pelas pedras retiradas em seu curso. Tem parceria, companhia, cumplicidade para sangrar as mãos, junto, calejando-as com as pedras. Tem ladeira e fogão de lenha. Tem liberdade. Tem comemoração: porque tem pulso, veia, músculo, ossos, suor, lágrima, necessidade, satisfação, prazer e sentidos. Intensidade. História completa, tem mesmo é vida. 

Algumas vidas são capazes de dignificar outras. Mais, são capazes de justificar a própria Vida. É esta, a vida que não cabe em uma teoria.


Curiosidade:
No Ano da Graça do Tricampeonato, eis aqui o que tocava no rádio: Jukebox70. A minha preferida dessa lista é Your Song, de Sir Elton John e cabe como poucas nessa ocasião, nessa VIDA.

"And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're......"

Ainda assim, por motivos específicos e bem ao meu estilo de dizer não contando nada, escolhi esta. Eu gosto de fazer pensar. Porque viver não cabe em teoria.


Post reeditado, com várias modificações, principalmente os links. Porque em um ano, tudo o que muda e permanece o mesmo, evolui e apresenta-se em variadas formas e ocasiões, como novo: nada do que é eterno tem pressa. 

5 comentários:

  1. uau! você anda se superando...
    agora raindrops é tudo de bom...

    ResponderEliminar
  2. Marcinha, fim. Este é o derradeiro. Agora... "be quiet: silence" por tempo indeterminado. Jocas!

    ResponderEliminar
  3. Li,reli e vou guardar.
    Descanse um pouco e volte logo.
    Bjks!

    ResponderEliminar
  4. Bravo!!!

    @Fabio_Ferro1

    ResponderEliminar
  5. Um ano depois, a única mudança que faço no meu comentário é em relação a música:
    Your song é tudo de bom! (rs)

    ResponderEliminar