terça-feira, 16 de agosto de 2011

CAI A NOITE



Tem piedade!
Não sabes que me tomas em tuas mãos
meu tremor a cada teu salto?
Palpitação aflita que não acalentas
Teu sopro não é o bastante - olha!
Cuida de ti!
Sabes que de teus temores sinto eu
meu peito a cada teu passo?
Angústia infinda que não afugentas
Tua certeza não vê além do instante - crê!
Imploro!

Não emprestas de mim cinco sentidos 
Não há tempo - há espaço,
Não há constância - há distância
Restam-te outros cinco - a acompanhar-te
Ouve e vê, toca e experimenta
cuidado, seguro. Comigo respira - inteiro
o perfume da cesta que me trazes, pela manhã
Frutas, ovos, flores, zelo, carinho e oração.

Teus olhos são a pátria
que me trazes no silêncio - que cala
que cortam o ar como vento sem tempestade
que refletem a cor das folhas de outono no chão
É da vida - de teus olhos que falo.
Traga-me teus olhos silenciosos - cortantes 
tempestuosos, dourados... Vivos!

Imploro!
Crê!
Cuida de ti!
Tem piedade!

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