terça-feira, 23 de agosto de 2011

CAI A NOITE


Ao despertar, sozinha, numa multidão de amores quando a luz da manhã
Surpreendia, na clareira de seus olhos longos como a noite,
O seu dourado ontem adormecido na íris
E o sol que nesse dia saltava de suas coxas para o céu,
Era a virgindade tão antiga quanto os pães e os peixes,
Embora o instante de um milagre seja um relâmpago infinito
E os estaleiros das pegadas da Galiléia ocultem uma frota de pombas.

Não mais poderão suas vibrações do sol desejar
Sua almofada profunda como o mar, onde outrora ela casou solitária
Seu coração todo olhos e ouvidos, os lábios que sugavam a avalanche
Do espectro dourado cujos córregos rodeavam seus ossos de mercúrio,
Aquele que, ao pé de suas janelas, erguia-lhe a bagagem dourada,
Pois dorme um homem onde o fogo caiu e ela descobre em seus braços
Esse outro sol, o fluxo ciumento do sangue sem rivais.

Dylan Thomas

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