sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CALMA É COISA DE PSICOPATA



Ninguém que não seja psicopata, é inabalável - inatingível. Em algum momento, na vida, há que surgir o que abale suas estruturas. Ao menos, as que acreditava-se possuir. Ser suscetível à opiniões de terceiros, por exemplo, é algo que seria impensável para mim, até há pouco. O fato é que, para que passem gotas de água pela parede, é preciso haver ranhuras, rachaduras. E uma ação anterior, que as provoque.

Percebo as implicâncias disso, um pouco tarde demais, e incoerentemente, ao tempo em que lamento a guarda baixada, sinto-me aliviada por enfim saber como funciona algo que sempre olhei com indiferença. No máximo, com alguma condescendência divertida.

- "Desarme-se...." foi a locução ouvida. Uma ordem, recebida. E obedecida. De bom grado, registre-se.

Entre incrédula por sair da linha e encantada por isso mesmo, vario um ou outro momento de fúria - da qual me envergonho profundamente depois de aplacada - com os dias  normais de sempre. Dias normais são os que exerço meu lado melhor: o veludo de ser cínica, incrédula, cartesiana, irônica. Momentos de fúria não passam de algumas frases ditas ou escritas que fazem pouco sentido (sempre em voz baixa, porque "grito" é sem classe demais, até para minha fúria!).

Que diabo é isso que ocorre, agora, de me importar com opiniões e até certas provocações de quem me "pega pra Cristo"? Invariavelmente, são opiniões que quem nada sabe, nem tem como saber, jamais, sobre mim, exceto o que eu mesma queira transparecer.  E por que diabos, então, me afetam? Porque é a consequência de algo que me afetou, antes, aí sim, de relevante. O interessante é que passei a não importar mais em ser afetada pelos irrelevantes, por essa simples consciência: a causa de tudo isso, vale. 

Ninguém é tão inatingível assim... E parece, enfim, que a fúria encontrou seu fim.

1 comentário:

  1. Verdade. Uma abordagem diferente e que poucos conseguem enxergar.

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