sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DO LAR VIESTE E AO LAR VOLTARÁ


Por mais ficção que nelas se use, a literatura e a cinematografia refletem a sociedade da época que a obra foi feita. Neste sentindo nada demonstra melhor do que Hollywood a “evolução social” da mulher dos anos 60 até os dias de hoje. E as “mocinhas” mudaram muito ao longo do caminho. Mas, será que a mulher dos anos 60 é assim tão diferente das da segunda década do século XXI?

Houve uma época que ser dona-de-casa era uma coisa tão boa, mas tão boa que até feiticeira e “gênio” abriam mão de seus “poderes” para viverem o american-way- of-life. Afinal se você tem um marido com uma boa profissão, que lhe dá uma boa vida, uma filha fofa, que mais você, mulher, pode querer? E para quê usar seus poderes mágicos (pelo menos na frente do “maridão”) se os eletrodomésticos de “última geração” fazem tudo por você? Agora, que tal unir o programa espacial com uma lenda milenar para provar que nada no mundo é melhor do que viver sua paixão na América, como americana? E neste sentido, não é à toa de que a personagem mais famosa do escritor Sidney Sheldon, seja uma mulher que chama literalmente o homem que gosta de “amo” e “senhor”... 

Muita gente boa passou a dar “boa-noite John Boy” semanalmente durante toda a década de 70. Os Waltons mostravam que a verdadeira família americana é grande e permanece unida mesmo em face dos maiores problemas econômicos (Grande Depressão) e político-sociais (Segunda Guerra). E o grande esteio das sete crianças e do maridão era, claro. a sra. Walton. Ou melhor, as senhoras, já que havia a mãe e a sogra. E, incrível, elas se davam muito bem...

O interessante é que este tradicionalismo não impediu que a mulher tão talentosa quanto ao homem também fosse retratada. E este retrato foi em alto estilo: três mulheres lindíssimas, modenérrimas e antenadas que lutam unidas contra o crime. Agora, lógico que quem mandava nas Panteras era um homem misterioso. As “meninas do Charlie” ditaram moda e até penteado de cabelo ao redor do mundo. 
E no último ano da década de 70 surge a grande virada feminina com Kramer versus Kramer. Uma mulher trocando o casamento pela carreira e além de tudo deixando o filho pequeno com o maridão é algo que não era comum no cinemão americano. Enquanto isto, na telinha, Sidney Sheldon emplacava novo sucesso.
O Casal 20 era rico, bonito e viajava o mundo solucionando casos policiais. Mas, em casa Jennifer cuidava cariosamente do maridão (e que maridão!) Jonathan ... 

A luta feminina não iria ganhar tão fácil assim os estúdios de cinema. E eles pegaram pesado. Em 87 surge Atração Fatal que mostra que uma mulher solteira com mais de 30 anos liberada sexualmente e amante de um homem casado só pode ser psicótica. E claro, no meio do filme o maridão se arrepende a esposa o perdoa e a vida só não volta a ser um mar de rosa, porque a amante os persegue. Filmão daqueles de tirar o fôlego, mas de moral vitoriana. Um ano depois, outro petardo: na França pré- revolução francesa, uma marquesa e um visconde manipulam, humilham e fazem jogos de sedução que acabam destruindo a moral de uma recatada senhora casada. Quando visconde e marquesa são desmascarados, adivinha qual deles passa a ter o desprezo da nobreza? Uma coca-cola bem gelada a quem respondeu a marquesa.

Agora para mim, o filme símbolo de que mulher que ousa tem que ser castigada é o espetacular Telma e Louise, de 1991. O século estava acabando, mas duas amigas que decidem abandonar a vida medíocre de dona de casa e sair, literalmente, pelo mundo, não podiam se dar bem. Depois de confundidas com prostitutas, roubadas por um Brad Pitt imberbe, e matarem em legítima defesa, as amigas descobrem o alto preço que terão que pagar por terem abandonados os maridões...
A partir de 94 a mulher começa a ter cinematograficamente direitos iguais, até para ser uma senhora vilã sedutora. Assédio Sexual inverte os papéis e mostra uma chefe perseguindo o subalterno que não quis ter um caso com ela. A partir daí, temos mulheres independentes de todas as idades, profissões e estados civis, tanto na TV, quanto no cinema. Porém nos anos finais da primeira década do novo século, uma nova mulher começa a surgir na telona: Ela tem entre 30 e 44 anos, é solteira ou divorciada, independente, que de repente descobre que:

a) o relógio biológico está fazendo tic-tac muito rápido e ela começa a temer não poder adiar a maternidade por muito tempo. 
Ou
b) ser rica, chefona, famosa, independente são condições excelentes, mas vazias, se não tiver um grande amor. 

E qualquer mulher que não se enquadre em nenhum dos dois tipos, pode apostar que será aquela que fará nosso herói sofrer. Ou seja, atualmente, o recado de Hollywood às mulheres é: faça o que quiser com sua vida, mas saiba que ali no fim do túnel têm um homem e um bebê à sua espera. 

Happy End!

Mirtes Guimarães, jornalista mireiroca que traduz o cotidiano, de Hollywood para o blog!

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11 comentários:

  1. Hum... não rolava um climão entre o Major Nelson e o amigão dele, o Roger? As cantadas furadíssimas do Roger, na Jeannie, sempre achei disfarce. Não foi a toa que a série acabou quando resolveram casar Nelson e a gênia....rsrs

    No mais, como disse Adélia Prado, "mulher é desdobrável". Dá conta do recado de ser mulherão, independente e dona-de-casa, tudo junto, ao mesmo tempo. E ainda sobra tempo para assistirmos aos filmes, e séries de TV!

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  2. Rindo muito Velvet ! ! ! ;)

    Mirthes, que maravilha de texto, um "ode" á mulher/fêmea/Dona-de-Casa, no cinema...Fantástico.

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  3. Por ter sido criado por uma mulher fantástica que enfrentou todas as dificuldades que uma desquitada, quase sinônimo de prostituta nos anos 60s, devesse encarar para manter sozinha um lar digno, que enlevo o papel da mulher. A vida obrigou minha mãe ao rompimento de todas essas etapas que Mirtes muito bem descreve.
    Sou da comédia romântica igualitário, uma que adorei foi “Como Perder um Homem em 10 Dias” de 2003, com Kate Hudson e Matthew McConaughey. Ele, publicitário, faz uma aposta que consegue conquistar uma mulher em 10 dias, e ela, jornalista, com uma matéria, em jogo, de como perder um homem em dez dias. Dá para imaginar!
    Velvet, também gostei da arte gráfica. As duas de parabéns!

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  4. Que incrível! Psrabéns, Mirtes!
    Eu viajei com o texto porque assisti todos os filmes (e tbm as séries, rs) .. Ficou um retrato perfeito dessa evolução. Magnífico!!
    Bjos !

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  5. Velvet mostrando que no século XXI as pessoas procuram homoafetividade em tudo, até no que era "meiguinho" no passado...kkkkkkk (difamando o major Nelson..)LOL

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  6. Vevelt e Sônia: longe de mim querer levantar polêmica homoafetiva, porém, nada foi mais bandeiroso do que o "você é meu, he-man" que o esqueleto repetia para o irmão da she-ra...
    Barenna as comédias românticas igualitárias reinaram até 2005/06, agora todas querem é "casar" (rs). mesmo assim, não perco uma
    beijim geral

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  7. Gente, nada é mais "homoafetivo" do que a musculatura do He-Man e seu gritinho de poderes etc! Em cima de um tigre? Ah, vá! Nunca que He-Man foi macho-alfa na vida! Até o esqueleto gamou, rsrs.

    Comandante, adorei essa comédia e tenho a trilha sonora. Deliciosa!!

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  8. KKKKKK! Genial,minha Maninha!
    É isso mesmo! Seu final foi contudente! Não deixou nenhuma dúvida:
    "faça o que quiser com sua vida, mas saiba que ali no fim do túnel têm um homem e um bebê à sua espera."

    Como se felicidade plena fosse só isso! rsrs

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  9. Marcinha/Mirtes, a prova que você tem razão sobre as comédias românticas é a foto que escolhi para finalizar. Do filme "A Proposta", quando a Margareth Tate da Sandra Bullock, toda-toda-poderosa editora de uma editora de sucesso, precisa implorar para seu assistente que case com ela, para conseguir o green card. Mas daí.... em um único finde, ela se perde de amores por ele, e desiste do green card para ser honesta com seu sentimento. Até que o mocinho capitula que a chefe-megera, pela qual sempre foi apaixonado, merece seu perdão.

    E foram felizes para sempre! lol

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  10. E eu achando que era a única perturbada da turma... kkkkkkkkkkkkk
    Ahhh e como esquecer a linda Diana, conhecida como Mulher Maravilha?
    E a Mulher Biônica??? uauuuuu
    Mas, francamente?... Acho que o melhor retrato da mulher de hoje se chama Scarlet O'Hara. Criada com mimo, perde tudo, sustenta a família vive o sonho adolescente, quebra a cara, faz-tudo pra conquistar uma vida melhor pra si e os seus... E qdo descobre que é apaixonada pelo marido... AMANHÃ EU PENSO NISSO!
    E quem disse que vida de mulher não cansa?
    Adorei o texto, prima... Singelo e muito nostálgico. Tempo bom que não volta mais.
    Beijossss

    P.S. Eu sempre suspeitei do Major Nelson/Roger e do Batman e seu cuecão de couro... AHAHAHAHAHAHAHAAH

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  11. Mirtes, como sempre, acerta em cheio. Mas confesso que meu cult film nesse sentido, seja Tomates Verdes e Fritos.

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