terça-feira, 6 de setembro de 2011

11/09 O INFERNO CHEGA PELO CÉU



Dia 22 de novembro de 1963, sexta-feira. Eu estava estudando matemática em casa de um colega do curso ginasial, quando sua mãe nos avisou que John F. Kennedy acabara de ser assassinado. Não sei tudo o que fiz durante o ano, mas aquele dia ficou marcado em minha memória, talvez até lembre a roupa que vestia naquele dia. Lá se vão 48 anos...

Dizem os especialistas, que fatos trágicos são impressos fortemente em nossos cérebros e nunca mais conseguimos apagá-los da memória.

Na manhã de 11 de setembro de 2001, chegando ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, lá encontrei o maior tumulto e um mundo de vans de reportagens, com suas enormes antenas, espalhadas por todo o setor de embarque. Meus batimentos cardíacos aceleraram com o pensamento de uma grande tragédia aérea no próprio aeroporto, ainda mais por eu estar indo buscar minha filha que chegava de Porto Alegre. Nessa época a Transbrasil ainda não havia falido e eu estava aposentado havia dois meses. Corri para o despacho de tripulantes onde havia um aparelho de televisão e, só então tomei conhecimento daquela tragédia que feriu mortalmente o mundo ocidental.

Como piloto, e tendo voado justamente o Boeing 767 durante os últimos doze anos, aquilo era uma imagem dantesca que, beirando o impossível, não tinha nexo. Parecia imagem de um filme com efeitos técnicos digitais. Realmente demorei muito para que a ficha caísse. Chorei!

Tecnicamente, levei uma semana para entender. Como seria possível, pilotos amadores, dominarem aquelas máquinas de última geração, colidir contra o World Trade e contra o Pentágono do país mais livre e democrático do mundo?

As respostas vieram fáceis, como na atualidade ficou fácil dominar técnicas rudimentares de voo de grandes jatos, com o desenvolvimento tecnológico dos meios de aprendizado e ensino de voo. São muitas as ferramentas hoje utilizadas, como: Computed Based Training courses, onde um simples programa de computador ensina tudo sobre o avião; o próprio Microsoft Flight Simulator encontrado em qualquer loja de softer de jogos; até mesmo os simuladores de voo em centros de treinamento especializados de aeronáutica civil, como o que eu hoje trabalho, em Guarulhos, para treinamento e avaliações de pilotos profissionais.

Tirando a parte de conhecimento da aeronave, o sistema de navegação é tão simples e fácil de entender, que acoplado a um de seus três pilotos automático, programado com precisão, leva  avião sozinho a um alvo, controlando posição por coordenadas geográficas e, a altitude e velocidade determinadas pelos seus “pilotos” em dois computadores de bordo chamados FMC, que vem a ser o Flight Management Computer. Não interessa o tamanho do voo pois, como por exemplo, antes decolar do Rio de Janeiro para Nova Iorque, o piloto carrega toda a rota no FMCS com todos os dados, desde a partida até o destino.

Certamente foi muito mais difícil o projeto e execução do atentado do que o fato de as aeronaves terem atingido seus alvos. Somente a quarta aeronave não atingiu o Capitólio ou a Casa Branca, até hoje não se sabe o destino certo, porque passageiros e tripulantes entraram em luta contra os terroristas e, assim, a aeronave caiu na Pensilvânia.

Barenna é Comandante, carioca e poeta de Dona Baronnete..

7 comentários:

  1. Até hoje me arrepio quando vejo as imagens comandante. A ousadia e a precisão da ação atormentarão para sempre os americanos, principalmente os ligados aos orgãos de inteligência, que não são poucos, e que foram incompetentes para conhecer o plano com antecedência. Cróeu...

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  2. Jorge @atakardiac06/09/11, 14:20

    Um crime de lesa-humanidade. Há valores cristãos que são completamente negados numa ação dessas. Um ataque a civilização e à vida. Que Deus nos proteja de tanto ódio.

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  3. opcao_zili06/09/11, 14:25

    Avalio o quanto deve ter sido difícil, para vc, presenciar a cena dantesca. Eu, que à época, morria de medo de avião, vi os 2 impactos pois estava na frente da TV qdo o 2o avião entrou no prédio. Sensação horrível no coração.

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  4. Parabéns Comandante, pela belíssima profissão!
    Lembro que eu queria ir a NY em setembro daquele ano, como mini-férias de uma semana.
    Compromissos profissionais, como sempre, impediram que eu me organizasse com antecedência.
    Naquela manhã eu estava em casa, arrumando uma malinha para ir para Poa.
    Liguei a tv e levei um susto, porque assisti ao vivo quando o segundo avião bateu.
    Larguei tudo e fiquei literalmente uma semana inteira vendo todos os canais americanos de notícias.
    Só dormia quando reprisavam os programas de madrugada.
    Fiquei muito triste pelos mortos e feridos, especialmente os 300 bombeiros que morreram nos desabamentos das duas torres.
    Eu acompanhava as news e chorava ao ver tudo aquilo ao vivo.
    Jamais esquecerei.
    Fiquei abalada porque me dei conta de que o mundo havia mudado para sempre.
    As imagens do ataque `a Pearl Harbor me vieram `a mente na hora em que o segundo avião bateu e, assim como Pearl Harbor teve consequências, aquele "dia da infâmia" em 2001 também.
    Logo após os ataques fiquei com medo de viajar e deixei de ir aos EUA e `a Europa, em vários congressos profissionais.
    A proximidade dos 10 anos daquele dia da infâmia me fizeram lembrar que ainda não conheço NY.
    Tempus fugit.

    Bjs!

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  5. O doce Barenna me fez imaginar como os pilotos do mundo inteiro se sentiram naquele dia.
    Agora acho que acima de tudo, o 11/09 marcou o fim da inocência. Naquele dia o mundo voltou a sentir medo,muito medo.

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  6. Comandante, até hoje não posso me furtar de analisar e tentar entender as razões que provocaram essa tragédia.
    Sem partir para a ideologização de ações, consequências e reações, temos que concordar que o atual modelo econômico mundial de aproveitamento de recursos sejam eles naturais ou de mão de obra segue imutável o padrão humano histórico de espoliação dos mais fracos. Quanto mais fraco, mais espoliados e na maior parte das vezes não é por Tio Sam e outras potências.
    Não por acaso é que da população miserável mundial atual uma imensa maioria é composta por povos islâmicos ou islamisados.
    Nesse ambiente é muito fácil que se desenvolvam "fanáticos e fanatizadores extremistas" e por essa razão não é de todo impossível, que outros 11 de setembro sobrevenham.

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  7. Desculpem-me pelo erro:
    "A proximidade dos 10 anos daquele dia da infâmia me FEZ lembrar..."

    Abs!

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