sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CAI A NOITE


Se eu perdesse o rumo  não seria em alto mar
Não haveria farol, na costa ou numa ilha
Onde estou não tem oceano
No meio do nada, árido, seco, nem deserto há
Sob meus pés só espaço nem areia a arranhar.
Se eu perdesse a direção não seria na estrada
Não haveria guia, nem placa numa curva
Onde estou não tem mapa
No meio do vazio, cheio de oco, nem som escapa
Às minhas vistas só ar, rarefeito, nem névoa há.
Tenho horas bem amargas, confesso. E digo
Coisas que nem passam e nem esqueço.
Se há folhas soltas no vento da tarde, não vejo
Nada me dizem, não foram escritas para mim.
Se há rosas mortas no jardim, não ligo
Não são minhas, nunca recebi nenhuma.
Se há gritos na vizinhança, não ouço
Não brigam comigo, ninguém me vê aqui. Neste lugar.
Talvez nem sobreviva. Talvez viva. Não sei.
Não saio para lugar algum
Não irei te buscar - nem busco te encontrar
Nada tens com elas, as minhas dores ou angústias.
Por perdida, sem rumo e direção permaneço
Incapaz de impedir a água e o sal, destilados no rosto
Te guardo onde estou - lugar nenhum. Mas é meu.
Por tudo o que não vale respirar, só o teu nome escapa
É o mundo que me inspira
Entre as lágrimas e o silêncio.


5 comentários:

  1. Very dark, but so beautiful...




    abçs

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  2. Yep! Inside: a dark place. But... just my soul now.

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  3. I've been there so many times before that I understand perfectly what you're saying...


    Bjs!

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  4. Lindo Regina. Muito lindo mesmo.

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  5. Se eu perdesse o rumo não seria em alto mar
    Não haveria farol, na costa ou numa ilha
    Onde estou não tem oceano
    No meio do nada, árido, seco, nem deserto há
    Sob meus pés só espaço nem areia a arranhar.
    Se eu perdesse a direção não seria na estrada
    Não haveria guia, nem placa numa curva
    Onde estou não tem mapa

    Que coisa mais L I N D A!

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