terça-feira, 20 de setembro de 2011

CAI A NOITE

Ser como uma criança tu és como uma criança
Grande como uma criança quando tens razão
Quando te fazes de gente grande
Quando fazes o céu tombar sobre a mesa
Com um gesto mais regular que o das estações
Pronta a criar tudo que escolhes imitar

Quando me fazes rir com um riso
De compaixão.

Vieste até mim pelo caminho da infância
Séria como a relva e como uma andorinha

A meia-noite das manhãs estava manchada de aurora
O crespúsculo espalhava a sombra com prudência
Para expulsar os animais negros.

Eu entrei na ronda
De tua vida apesar do tempo

Eu te concedo o tempo de viver
E o tempo de ter vivido

Tu me concedes o tempo de ser
Para ti como uma criança.

Paul Eluard

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