sábado, 24 de setembro de 2011

CAI A NOITE


Procuro um poço - um oásis
Carregado de palavras
Onde possa pescar Na imperfeição do dia
e nas incoincidências da vida
Aquelas que subam ao Olimpo - aonde vives.

Palavras profundas que te tragam para perto
do girassol no horizonte, da integridade do milharal
da porosidade do cupinzeiro meio ao pasto.

Palavras simples como apenas a verdade encarna
Que reguem a aridez da distância
do alto de tua morada ao meu mais baixo degrau
Na escada de navalhas que rasgam
A minha carne na escalada.

Eu procuro as palavras flagrantes de um oásis
Para a oferenda da minha taça de sangue
Onde mergulhas tantos orgulhos quanto
as tuas tão humanas incertezas
Porque tens um calcanhar, tal qual o outro.

E saciado em tuas vaidades - de posse de mim
tu possas cobrir novamente a distância
de espaço e tempo do chão de minha fábrica -
de amores diversos, de verdade e de palavras -
Até o cume seguro do teu Monte. 

Procuro um poço - um oásis
Carregado de verdades profundas
Onde eu possa pescar a simples palavra
para te dizer outra, qualquer uma.

2 comentários:

  1. "Porque tens um calcanhar, tal qual o outro" - menina, vens construindo (ou pescando) deste teu poço mais do que palavras, vens de lá de dentro trazendo imagens lindas, metáforas acertadas.

    Só te peço uma coisa (ou deveria pedir ao oásis de teu poço?): nunca encontres a simples palavra para dizer adeus...

    Abraços sempre afetuosos.

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  2. Não é assim, o Olimpo? Onde vivem deuses repletos de condição humana...Mas ainda assim, deuses. Inatingíveis, exceto um ou outro, em seu calcanhar.

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