quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CAI A NOITE



Meu ser evaporei na luta insana 
Do tropel de paixões que me arrastava: 
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava 
Em mim quase imortal a essência humana! 

De que inúmeros sóis a mente ufana 
Existência falaz me não dourava! 
Mas eis sucumbe Natureza escrava 
Ao mal, que a vida em sua origem dana. 

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos! 
Esta alma, que sedenta em si não coube, 
No abismo vos sumiu dos desenganos 

Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube, 
Ganhe um momento o que perderam anos, 
Saiba morrer o que viver não soube. 

Bocage

1 comentário:

  1. Olá,
    acho magnífico quando ele diz: "Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!"
    Ele torna o prazer um aliado e ao mesmo tempo um dominador.
    Um abraço!

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