domingo, 25 de setembro de 2011

E TODOS PREFEREM AS LOIRAS


Não sei se é fruto de algumas morenas vingativas, mas o fato é que desde que Norma Jeanne virou Marilyn Monroe que as “blonds” viraram alvo de muitas injustiças e preconceitos. E pior, sem ONG alguma para protegê-las. “Burras, malvadas, interesseiras, manipuladoras, predadoras sexuais” as loiras fazem parte da fantasia sexual do homem e sofrem da falta de solidariedade feminina. Ou seja, ninguém é indiferente a uma loira. E uma jovem de cabelos amarelos povoa o imaginário popular de várias maneiras.

E me lembrei disto ao assistir um debate no Saia Justa sobre lendas urbanas. E o interessante é que nelas, a loira nunca é fatal. Ao contrário, é carente e triste. Assim, de pronto, me recordo das seguintes que se ouve nas ruas e nos bares cariocas:

1- Um taxista pega uma loira vestida de branco (elas sempre estão com trajes nesta cor) em algum bairro do Rio. Ela pede para levá-la ao São João Batista ou ao Caju (cemitérios da cidade). Ela permanece todo o caminho calada. Só soluça enquanto lágrimas escorrem pelo rosto. Ao chegar, ela paga e quando o motorista vai sair percebe que ela deixou algo no carro (geralmente um lenço, de cabeça ou de bolsa). Ele olha de novo para a direção em que ela desceu e não a vê. E as pessoas que estão próximas e funcionários do cemitério juram que por ali não passou loira alguma.

2 - Na pista de descida da Rodovia Presidente Dutra (Rio- São Paulo) há um declive muito forte pouco antes do viaduto da localidade de Queimados. Tarde da noite ou de madrugada, uma loira muito bonita em um vestido branco transparente aparece no acostamento fazendo sinal para os caminhoneiros. Estes, extasiados com a beleza, acabavam perdendo a direção e despencando do viaduto. A loura era uma noiva cujo amado morreu em um acidente provocado por um motorista de caminhão...

3- Também tem a noiva do Hotel Quitandinha, em Petrópolis. À noite, ela vaga pelos quartos a procura do noivo que faleceu poucas horas antes do casamento...

Interessante é que uma versão mais violenta: a loira que habita algum local fechado e mata quem “invada” seus domínios tem suas “primas” em outros países. E mais, na Inglaterra e no Japão elas têm nome e sobrenome. No Reino Unido há uma grande discussão envolvendo o termo Bloody Mary. Uns dizem que o nome da fantasma loira assassina que habita castelos ou antigas casas de nobres é que deu origem a denominação da bebida. Outros, que foi o nome que deram a mistura de suco de tomate, molho inglês, pimenta do reino e vodka que originou a lenda que diz que a pessoa que invocar Bloody Mary três vezes em frente a um espelho faz com que a mulher surja de dentro dele e a mate. Qualquer semelhança com o Beetjuice de Tim Burton, não deve ser mera coincidência...

Já estava terminando quando meu “Google” particular (o filhão) ao saber sobre o que eu escrevia me informou que até os japoneses têm uma fantasminha para chamarem de sua. E lá, se repete a boa e velha lenda brasileira da loira presa eternamente em um banheiro. Aliás, na terra do Sol Nascente, a fantasma atravessou as paredes do banheiro e virou filme e anime.

A lenda nipônica diz que uma menina, Hanako, estava brincando de esconde-esconde com os colegas da escola, e se escondeu no boxe quatro do banheiro, onde acabou falecendo. Inconformada e revoltada com sua morte, Hanako passou a assassinar todos que entrassem no quarto boxe de qualquer toalete. Aliás, quem leu ou viu os filmes de Harry Porter deve estar se lembrando da Murta que Geme, a aluna fantasma que assombrava os banheiros de Hogwarts...

Ou seja, o cinema sempre soube brincar muito bem com o binômio prazer/morte que as mulheres, principalmente as loiras podem causar. E, em linguagem freudiana, mostra como Eros e Thanatos podem estar presentes até em lendas urbanas. E nelas, loiras passam de predadoras a apaixonadas. Para tanto basta que não causem mais nenhum perigo. Em outras palavras, que estejam mortas. É ou não uma maldade com elas?


Mirtes Guimarães, jornalista mireiroca que traduz o cotidiano para o blog.


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AMBIGUIDADE À BRASILEIRA

5 comentários:

  1. Mirtes
    Obrigada por defender a categoria!
    Bjs!

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  2. Ame-me ou Deixe-me!
    De Nascença ou de farmácia...
    Um cabelo com fios de ouro sempre aguça os sentidos...
    Ouvi dizer, certa vez, que a melhor coisa que uma loura tem é o total desinteresse pela cor do cabelo alheio.
    Deve ser por isso que todo mundo espia o nosso.
    Adorei o texto, prima. Principalmente o tom macabro.
    Beijos

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  3. Delícia de texto... adorei!
    Grande presente de domingo!!
    Parabéns e bjos, Mirtes e Regina!

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  4. Vôte...Macabro. Ainda bem que li de dia senão nem conseguiria dormir. rs rs
    Brincadeiras à parte, excelente artigo formiguinha.

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  5. Maravilha de texto Mirtes. Nota 10.

    Tem uma "Lenda Urbana" rolando aqui na Barra, superpopular entre os bohêmios do "Baixo Barra" (Parque das Rosas). Trata-se de uma loira lindíssima, daquelas que fecham comercio. Ela normalmente aparece as 2 da manhã, quando o nivel de alcool da molecada está elevadíssimo. Sedutora, ela "dá mole" para um desses e leva o rapaz para um motel ali perto.

    As "vitimas" juram que foram agraciado com o sexo mais fantástico do planeta. Todos afirmam categóricamente que amanhecem no motel sozinhos, e quando o "tico" ou o "teco" tá funcionando, leem um recado escrito no espelho, com batom: Valeu gatinho, voce é o máximo...Ah, lamento esqueci de te falar; Estou com Aids !

    Muito Sinistro....

    Lunarscape.

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