sexta-feira, 30 de setembro de 2011

FAROFA IN RIO


(Photo: Revista Quem)
Mais um Rock In Rio, pensei: um “Pop in Rio” com o marketing de atrair inclusive os roqueiros. Aquela xaropada do brasileiro misturar tudo e no final a “farofa” acaba sendo aceitável. Sim, sei que a discussão é interminável, é como discutir futebol ou a mulher do vizinho. No fim todos estão errados, ou todos estão cobertos de razão.

Quando começou a venda de ingressos pela internet, eu ainda não estava motivado o suficiente para “entrar na onda”. Pelo que eu tinha lido nada ali me interessava. A inclusão do Guns N Roses me fez abrir um sorriso e pensei: “apelação”. Sim, já que não dá para trazer o Queen com o Freddy Mercury, chamem o Guns para tentar ressucitar outro “morto”.

O evento ia se aproximando e eu ainda não estava motivado; vários amigos já tinham comprado ingressos para o dia 25. A “Noite dos Metais Pesados”. Acabei me rendendo e comprei de uma amiga 2 ingressos para o tal dia. O negócio era pesado, 400 reais cada ingresso e já imaginava cerveja a R$ 7 e sandubas a R$ 10, cidade do “Rock” abarrotada de “camisas pretas”. Ainda nem tive coragem de imaginar os banheiros! Pelo fato de o evento ser pertinho de casa, fizemos concentração e claro, chegamos na área por volta das 15 hrs. Doeu no ouvido e no coração ouvir cambistas vendendo ingressos a 150 reais e tinham muitos!


Entrar pela 4.a. vez em um evento Rock In Rio me fez pensar quão velho estou! Mas por incrível que pareça, me emocionei de forma positiva. 26 anos da minha vida se passaram, e bem ou mal lá estava eu denovo, do outro lado da rua, praticamente separado por esses 26 anos desde o primeiro Rock In Rio. Diga-se de passagem, o lugar estava super cheio já.No Palco Sunset estavam escaladas as bandas super-pesadas Matanza, Angra e Sepultura como as atrações principais, um prato para headbanger nenhum fazer desfeita. (Headbanger são aqueles malucos que ficam girando a cabeça incessantemente, ao som do heavy metal, e de vez em quando batem a cabeça contra uma parede, no ritmo da bateria!)

No palco principal estavam escaladas as bandas Gloria, Cambria, Motorhead, Slipnot e para finalizar o Metallica. E antes que alguém diga algo, não, não surtei. A minha motivação em ir foi para ver a banda do Lemmy Kilmeister, o lendário co-fundador do Hawkwind, que foi expulso da própria banda e depois fundou o Motorhead. O segundo motivo seria ver o Metallica, banda que nunca tinha visto ao vivo, mas tem na discografia “clássicos” do rock como “One”, Enter Sandman” e Nothing Else Matters” entre os mais conhecidos. Repito, não sou fã desse tipo de Metal Pesado em particular e acho que vocês sabem, pelas minha exposições aqui, que o Ozzy é o meu limite naquele gênero.

Depois de circular pelo local, achamos uma área confortável e voltamos a ingerir cervejas em escala industrial. Tínhamos “calibrado” na concentração e não demorou para iniciarmos a peregrinação aos banheiros. O relato das “meninas” era de que os banheiros femininos eram limpissimos e mantidos o tempo todo. Agora os masculinos! Deus me livre. No final da noite urinóis transbordando e o gramado sintético não absorve liquidos, era patética a situação daqueles banheiros. Nicotina em excesso e Heineken em profusão fez os rins de todo mundo trabalhar em ritmo acelerado. Para piorar, as filas para qualquer coisa eram intermináveis. Aliás a palavra chave desse Rock In Rio é definitivamente “fila”. Impressionante!

Começa o primeiro show do palco principal. Uma banda chamada Gloria, nacional e com algum tempo de estrada. Sofrível é o melhor termo para essa banda. Muito ruim mesmo. Mas como tudo é festa, vida que segue. Cambria seria a segunda apresentação, e sim surprenderam por ser banda desconhecida porém com um mínimo de linha melódica, mas...bem deixa pra lá.

Finalmente vem o show do Lemmy com o Motorhead. Powertrio com sonoridade de um Boeing aterrizando. Banda formada em 75! Fizeram um show “morno” mas para quem curte o Lemmy, todos saíram satisfeitos.

O cansaço começa a tomar conta do corpo, coluna em pandareco e os pés doendo horrores, além do penoso vai e vem entre o nosso spot e o banheiro! A idade cobrando!Veio então o tal do Slipnot. Aqueles malucos mascarados que proporcionam um show de Metal-Horror pavoroso. Ouvindo aquilo só poderia pensar em rituais assasinos do Hanibal Lecther. Pancada contínua no ouvido médio. E olhem, o som da cidade do Rock estava perfeito, e alto pra caramba. Os caras do Slipnot abusaram do volume e da violência visual. Sinceramente, detesto extremos e tanto Gloria como o Slipnot representam o tal extremo. 



No fim, graças a Deus acabou. Por dois motivos, um porque fiquei livre daquele espetáculo apavorante e segundo porque agora vinha Metallica (e depois disso iria para casa e para a minha cama!). Mas quero registrar o pesar de ver o fim do Slipnot. É que uma menina ao nosso lado deu um espetáculo digno de registro. Veio de alguma comunidade dos confins do estado e depois de levar 4 horas para chegar na Barra, ela pode assistir à banda favorita dela. Vestida a rigor: sainha jeans, camiseta top preta com o logo da banda. Adereços de couro nos punhos, coleirinha no pescoço, mechas vermelhas e roxas no cabelo, unhas pintadas de preto, o figurino estava perfeito. A tchutchuca dançava, balançava aos prantos e sim, cantava, ou pelo menos entonava todas as “letras” das “musicas” do Slipnot. Ela estava em mega-alfa e confesso, emociona! Afinal rock n roll é exatamente isso! Não importa se eu gosto ou não, o importante é que ela curtiu adoidado. No fim do show ela ajoelhou e chorou copiosamente.

O show do Metallica foi um daqueles que a gente sabe que não foi feito para o público. Foi para eles mesmo. Hoje sei o que é isso, subimos ao palco e antes de começar, a gente se abraça e diz: "aí, vamos curtir e nos divertir, se errar, paciência, no problem!" Todos sorriem e depois seja o que Deus quiser. Foi majestoso, e olhe, não tenho nenhum disco do Metallica aqui, e nunca fui fã. Mas me rendi. “One”, “Unforgiven” e “Nothing Else Matters” já ouvira até exaustão, mas foi fantástico ver ao vivo. Pior, hoje eu toco essas musicas!

Pronto! Meu quarto Rock In Rio e eu estava feliz por ter visto o que vi. Passados 26 anos entre aquele lado da rua e esse, muita coisa aconteceu na minha vida, de bom e de ruim. Mas tenham certeza, o Rock sempre trilhou os meus momentos especiais, e como diz Ken Hensley na musica “We are on our way”: "Nada mais importa, se a gente tem o Rock n Roll do nosso lado para nos ajudar a atravessar a noite". Dureza foi ir para casa às 4 da manhã e acordar 5:30 para ir trabalhar. 

Para terminar, a polêmica na qual se meteu a Claudia Leitte é o momento Lobão/Carlinhos Brown/Paula Toller dessa edição. Claudia Leitte calada é uma poetisa.


Lunarscape é o músico dinamarquês-carioca que é médico por incoincidências da vida.
Arquivo:
(Photo: Veja)

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