sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O 11/9 DE CADA UM



Terça-feira dia 11 se setembro 2001. Estava em casa, de férias do trabalho e tinha gasto a primeira semana dessas férias procurando casa ou terreno, já que tínhamos concordado que era hora de mudar.  Achamos uma casa maravilhosa no Itanhagá e o preço era convidativo. Problema era que estávamos em 2.o lugar,  havia um casal que tinha visto a casa primeiro e eles tinham a primeira opção. O cara era americano, casado com brasileira e essa queria voltar para o Brasil, para ficar mais perto da mãe. Esse casal tinha dado o lance na casa e tinham ido para os EUA buscar o dinheiro.  Mas por via da dúvida, liguei naquela manhã para o dono e troquei idéias com ele, mais para saber como estava a transação com o tal casal. A minha advogada não tinha terminado de correr os papéis e eu queria ter certeza de que o que estava fazendo era “legal”. 
Desligo o telefone e em seguida o aparelho toca. Era meu amigo, praticamente irmão, voz alterada e mais “elétrico” do que o normal. "Cara, liga na CNN agora, o bicho ta pegando nos EUA!" Perguntei porque e ele me informou em linhas curtas e gerais sobre o que tinha visto na CNN. Senti um nó na garganta e liguei a TV. Desliguei o telefone e sentei no sofá para assistir, totalmente incrédulo no que estava desenrolando ali, ao vivo, e na minha cara. A primeira torre ainda não tinha desabado, e lentamente me dei conta de que não era filme de ficção. E aí filmam o segundo avião se chocando na segunda torre. Vimos nitidamente pessoas se atirando dos andares altos do prédio e pouco depois a primeira torre vem abaixo, levantando uma nuvem gigantesca de poeira, uma onda maligna varrendo a rua acima, em direção às câmeras. Peguei o telefone e liguei para o meu cunhado em Long Island. Ele não sabia do que estava acontecendo e assim, mandei que ele ficasse em casa e que ligasse a TV.
Praticamente fiquei paralizado na frente da TV o dia todo, assistindo estarrecido a todas as reportagens, tanto pela CNN, como pela BBC e Bloomberg. Indignado e revoltado. Me dei conta de que tinha amigos que trabalhavam nas Torres, amigos que tinham se formado comigo na escola. Temor mais tarde confirmado pela associação dos ex-alunos.
Comecei uma busca na internet por mais informações, e passei dois dias sem dormir, querendo saber mais sobre essa catástrofe. Tinha até esquecido da casa que queria comprar e já na quinta-feira, o dono me liga dizendo que a casa era minha porque o casal que estava em NY não poderia honrar o compromisso, já que a bolsa estava fechada e enfim, tiveram uma perda grande, não só de dinheiro mas parece que parentes  também estavam nas torres. Liguei para a minha advogada e ela consentiu com a compra, mas me alertou para alguns problemas. Esses problemas me fizeram repensar a compra e totalmente dominado pela depressão, decidi não adquirir o imóvel.
Voltei a assistir os painéis e as investigações. Adormeci no sofá ouvindo o Bush dizer que estava “por aqui” com o Talibã de Afeghanistão e que o Talibã e a Al Qaeda eram praticamente a mesma coisa.
No dia seguinte, fiz nova busca na internet e caí numa pagina montada no dia anterior, 9/11 Fundation,  para ajuda às vítimas e parentes. Ali aprendi que muitos dos que morreram eram pessoal de apoio (faxina, limpeza e manutenção) sendo a maioria, imigrantes ilegais. Sim, também foram muitos CEOs, firmas inteiras apagadas. Cisco, Oracle, varias Imobiliárias e Bancos “overseas” simplesmente desapareceram junto com um bom número de funcionários. Nesse site fiz a doação de 100 U$ no cartão de crédito e esqueci da história retomando a minha vida de buscar um lugar melhor para viver.
Em uma semana, acabei encontrando o imóvel ideia e comprei, é onde moro até hoje. Mas um belo dia, uns 8 meses depois do 9/11 comecei a receber na minha caixa postal eletrônica um monte de e-mails de agradecimento. Pessoas contando as histórias dramáticas de como perderam seus parentes, entes queridos, maridos, filhos e filhas, pais e mães. Histórias horríveis que só colaboraram para o meu mais profundo sentimento Anti-Islã.  Pois à medida em que as notícias avançaram na investigação, tudo apontava para o Talibã Afegão e  Al Qaeda, conforme for confirmado posteriormente.
Lia compulsivamente tudo sobre o evento e em pouco tempo sabia praticamente de tudo que poderia saber. De Salman Rushdie ao Corão, passando pelo Hourani (A História dos Povos Árabes), devorava tudo. Mas as imagens daquela terça-feira assistindo aviões entrando nas partes altas daquelas torres jamais sairão da minha mente. Cenas de mulheres palestinas saindo às ruas, comemorando o feito, tampouco  sairão da minha mente.
O ataque terrorista em solo americano seria um marco de mudança nas relações do estado americano com o mundo, segurança reforçada, alteração no trato dos estrangeiros indo para os EUA e toda uma convivência entre americanos e o resto do mundo ocidental. Digo com toda a propriedade que o ataque de 11 de setembro foi um marco tão importante na história da humanidade quanto o ataque Japonês ao Pearl Harbour. A retaliação no Afeganistão e no Iraque é pouco, muito pouco diante da ameaça insana que o Fundamentalismo Islâmico representa.
Lunarscape, o roqueiro carioca-dinamarquês que é médico por inconsistência do destino.


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DEAD!

6 comentários:

  1. Concordo plenamente. O 11 de setembro marcou o mundo. Praticamente, todos que tinham mais de 18 anos em 2001, lembram o que estava fazendo naquele momento tenebroso.

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  2. Até hoje quando vejo as imagens, recuo no tempo e torno a sentir a forteemoção daqueles momentos. Foi de arrepiar pela brutalidade com que foi desferido o golpe.

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  3. Boa lembrança ainda mais nestes últimos tempos de aproximação do Brasil com o Islã. Já há pavimentação de muitos deles aqui entre nós. Como dizem os americanos: close the borders. Coisa que só após o 09/11 eles se lembraram de pressionar os partidos e Estado. Excesso de acolhimento resulta em abrigar o invasor. Fizeram o mesmo com aqueles da Escola de Frankfurt.

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  4. gente,
    agora que reparei que virei anônimo...

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  5. Inconsistências do Blogger, Marcinha. Mas não sabe o susto que levei, ao deparar com um comentário "anônimo" liberadíssimo, rsrs. Depois, deduzi que teria sido seu. Jocas!

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  6. Havia acordado para trabalhar. Escuto a filha com 9 anos e que tinha conhecido o local no julho anterior falar: mãe, vem ver. Quando olhei, a primeira torre acabara de ser atingida. Ainda vimos toda a seguência do horror dos horrores. Ouvi tb um locutor dizer: vem outro avião, será que não está vendo? Seria cômico, não fosse o início do fim do mundo.

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