quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O GRITO DO RIO DE JANEIRO CONTRA A CORRUPÇÃO

"A gente quer viver uma nação."

Crianças de escolas com mini-vassouras verde e amarela nas mãos. Grupos e mais grupos com nariz de palhaço, adesivos, cartazes feitos a mão e mais vassouras verde-amarelas surgiam das bocas do Metrô. Do Odeon, no finalzinho da Cinelândia, já dava para ver que aquela não seria uma manifestação como a que o Rio está acostumado. Afinal, meninos do Anonymous (aqueles que usam a máscara do V) dividindo o mesmo espaço com senhoras de salto e homens engravatados e estes com a garotada de cara-pintada, é algo raro de se ver. De normal mesmo só o exagero da PM que mandou cinco carros do Choque, um com a sutil inscrição “Não Letal”, e mais algumas viaturas comuns.

Do carro-de-som pessoas comuns falando o que a gente costuma debater entre nós: os malefícios da impunidade, a indignação com a corrupção, e o sentimento de profunda desconfiança com os representantes dos três poderes. Para não ficar só na reclamação, havia dois abaixo-assinados para a feitura de emendas populares: um para que corrupção seja considerada crime hediondo e outro que proíba mudanças nas regras de pagamento de aposentadoria que prejudique o beneficiário, enquanto o “hino” do movimento era cantado a pleno pulmões: É, de Gonzaguinha

Agora, para aqueles que frequentam manifestações desde o movimento da Anistia ficou óbvio que o que acontecia na Cinelândia era algo totalmente amador. Sim, muito, muito amador: não havia orador profissional nem um grande número de “passeeteiro” de carteirinha. Também não havia aquelas bandeiras de plástico cheirando a nova e muito menos aquelas vermelhas de vários partidos que até 2002 sempre estiveram presentes. Alguns parlamentares que costumam participar das manifestações até foram lá, mas não subiram no carro-de-som. Educadamente foram barrados com o argumento que o lugar de eles agirem é nas casas legislativas. Na praça fala o povo. E durante duas horas ele deu o recado. E é bom que os políticos entendam logo, pois o Teatro Municipal, a Câmara dos Vereadores e a Biblioteca Nacional formam um triângulo mágico que faz com que quem sinta o gosto da liberdade de gritar sobre o que acredita e de cantar o Hino em coro, repita isto quantas vezes achar necessário.
Arquivo:
7 DE SETEMBRO NEGRO: EU VI





(Photo: chupinhada do mural de Nélio Rocas, no Facebook)

6 comentários:

  1. Pena que por problemas pessoais, o acidente de carro de minha filha, não pude comparecer. Isso aí Dinda, vamos que vamos.

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  2. Ei, Comandante! Que triste! Espero que sua filha esteja bem, que é o que importa. Danos materiais são sempre sanáveis.

    Para mim, pelo belo relato da Mirtes, o melhor é o que muitos comentaristas criticaram no meu relato de 7 de setembro: o amadorismo. Disseram que foi sem-graça. Não penso assim. Esse amadorismo, como bem descreveu Mirtes, significa que a praça foi do povo. Sem os passeateiros profissionais. E isso é muito bom. Pequena, foi, para o Rio de Janeiro. Mas toda boa ideia começa pequena.

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  3. Jorge @atakardiac21/09/11, 14:00

    Dá-lhe D. Mirtes. Claro e redondo como uma tulipa bem tirada. O climão foi positivo.
    Chega de "bunda exposta na janela". É mostrar que tem um vento soprando aí e os políticos que não se derem conta vão tomar um susto logo logo.
    Parabens Mirtes
    Abção.

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  4. Regina... não sei não. Mas o Rio de Janeiro tem seu charme de cidade maravilhosa, de olhar aberto para o mar, um não-sei-quê de tradição inovadora e moleca. Como diria um americano amigo meu: "Tem ginga"!

    Assim, mesmo um movimento amador no RJ acaba tendo aquele brilho de ribalta revelado na foto linda do post. Acho que talvez seja isso.

    E viva a manifestação dessa nação brasileira!

    Abraços sempre afetuosos.

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  5. Lindo o evento. Pena que na data estava sem internet em casa (como ainda estou) e não pude acompanhar as informações ao vivo. Se foi pequena, quando comparada a eventos de outros tempos, pena...Mas foi autêntico, expontâneo e expressou a indignação popular real. Começa o movimento. Cabe-nos ampliá-lo Brasil afora...

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  6. Chupinhada nada, a foto assim como o sentimento é para dividir. E dia 12 de Outubro vamos pedir em copacabana que nossa PADROEIRA defenda-nos desses vermes que emporcalham nosso país e destroem as chances de nossos irmãos comuns terem direito a uma vida decênte, uma vida de gente, que é ceifada dia a dia pelos abusos desmandos e roubos dessa PeTralhada sem alma e sem pátria. Sim , eles podem até estar com o poder do país mas nunca estaram comandando a patria, que é nossa!
    valeu

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