segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAI A NOITE

Não é vida nem morte, é uma passagem, 
nem antes nem depois: somente agora, 
um minuto nos tantos duma hora. 
Uma pausa. Um intervalo. Uma viragem. 

Prisioneira de mim, onde a coragem 
de quebrar as algemas, ir-me embora, 
se tudo o que em mim ria agora chora, 
se já não me seduz outra viagem? 

E nada disto é céu nem é inferno. 
Tristeza, só tristeza. Sol de Inverno, 
sem uma flor a abrir na minha mão, 

sem um búzio a cantar ao meu ouvido. 
Só tristeza, um silêncio desmedido 
e um pássaro a morrer: meu coração. 

Fernanda de Castro

1 comentário:

  1. Delicado e forte como um pássaro a morrer: nosso coração!

    Lindo, belo, maravilhoso e fica, no coração de quem lê, o desejo sincero de entregar à dona desses versos a flor que lhe falta à mão!

    Amei!

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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