terça-feira, 18 de outubro de 2011

CAI A NOITE




Aquele beijo em ti, todinha
Se apenas o dou
Para que encontres em tua memória
Se não eram meus lábios sedentos
Que em ti pousaram
Não dormes, pensas se não eram apenas
Meus olhos descidos, gatinhando silenciosos
De tua boca até teu colo - meu colo
Se não eram meus dentes cravando aquela marca.

Um beijo em ti, todinha
Se apenas o dou para que penses
Em minha mão em ti, a percorrer-te
Em outro beijo mudo chegando perto
Muito perto depois do ventre descomposto
Lábios sedentos, olhos descidos, mãos mudas
Desfazendo-te os joelhos e pernas
Até estremecer-te os pés

Pensas se não eram minhas palavras
Apenas para que esperes a promessa
De percorrer-te com o desejo descrito
Se não eras tu desde o início um vício
Então apenas o dou, o beijo em ti
Para que te encontres com a mágoa
E com ela rabisques tua poesia
De desabafo em versos para mim.


Se apenas o dou, o beijo em ti
Está prometido, eu o darei
Para que esqueças dos dias em que parti
Perto e distante, refugiado de mim mesmo
Querendo ser dois sem nem te encontrar
Tu acariciarás minha fronte num grande perdão
E em ti todinha minhas marcas ficarão.

3 comentários:

  1. Estes versos dispararam essa minha recém-adquirida hipertensão!

    Parabéns!

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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