quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CONSAGRAÇÃO


O estado deve ser laico, mas a nação, não. O povo, que é um dos vértices de uma nação, não. O Brasil é um país católico.  E as tradições da Igreja Católica cá, como no mundo, determinam alguns feriados. Holidays, um nome bonito, em inglês. Dia Santo. O feriado de 12 de Outubro não é pela comemoração do Dia das Crianças. É pelo dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, uma das muitas representações de Maria, mãe de Jesus Cristo, conforme a expressão da fé de um povo, uma região. 

Já estive na Basílica de Aparecida inúmeras vezes. Apesar de minha memória afetiva preferir outra ocasião, claro que a primeira visita naquela imensidão de templo, para um católico e até mesmo para quem não seja tão praticante, impressiona.   A minha foi numa romaria da Legião de Maria que ocorre, tradicionalmente, no início de junho, um frio daqueles, à beira das montanhas da Mantiqueira. Os meus 13 anos chegariam dois meses depois. Fui sozinha, sem papai, nem sequer minha mãe, com um grupo de jovens da igreja de N.Sra. da Abadia, a minha paróquia, e sob os cuidados do Padre Raul, o vigário.  Naquela época, a Basílica não estava pronta, e não tinha a suntuosidade que apresenta hoje. Longe disso.  Sequer havia a rádio, muito menos a TV que faz transmissões ao vivo de lá. Só havia parede de tijolos e vitrais. Não havia adornos dourados, a iluminação era simples - basicamente luz natural - nada de piso de granito.  Era cimento grosso mesmo. Ajoelhar era o sacrifício. Mas as dimensões já impressionavam. Na área externa, o estacionamento era só um estacionamento. Não havia aquele "shopping do romeiro". Tinha uma feira. Um feirão, com barraquinhas que levava-se uma tarde inteira para percorrer.

A parte humana, calorosa e de uma energia impressionante do complexo é a Sala dos Milagres. Cheia de relatos reais da profissão de fé dos devotos. Ou de quem se tornou devoto, depois de experimentá-la. É a parte mais verdadeira de tudo, mesmo para quem não acredita. Porque é aquela feita de lágrimas, sangue, suor, coração e mistérios da mente humana. Mas eu gostei, mesmo, como gosto até hoje, é da Basílica Velha. Sou moderna para algumas coisas, mas vintage para muitas outras. Aquela é igrejinha como outra qualquer do interior. Mas ali a gente se encontra com o silêncio, meditação, introspecção e o perfume da história. Uma história de um povoado coroada por uma história de crenças. 

Até hoje, quando vou à Aparecida (hospedando-me em Guaratinguetá, ou em São José dos Campos, antes de fugir para Campos do Jordão, mas isso é outra história) sinto-me cristã, católica, e devota de Nossa Senhora apenas ali, naquela.... capela.

Que A Mãe do Céu Morena derrame sobre nós as suas graças, a sua luz, e nos ensine a persistir com trabalho. Essa é a maior profissão  de fé e a maior lição da lenda de Aparecida. E como mãe é mãe, quer seus filhos acreditem ou não, que ela abençoe a todos. Ah, sim. E Feliz dia das Crianças...


Consagração à Nossa Senhora Aparecida.
“Ó Maria Santíssima, que em vossa querida imagem de Aparecida espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil, eu, cheio (a) do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado (a) a vossos pés consagro-vos meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis.
Consagro-vos minha língua, para que sempre vos louve e propague vossa devoção. Consagro-vos meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas.  
Recebei-me, ó Rainha incomparável, no ditoso número de vossos filhos e filhas.  Acolhei-me debaixo de vossa proteção. Socorrei-me em todas as minhas necessidades espirituais e temporais e, sobretudo, na hora de minha morte. 
Abençoai-me, ó Mãe Celestial, e com vossa poderosa intercessão fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda a eternidade.” 
(Nota da Velvet: o pai do cantor Sílvio Brito foi padre. Antes de deixar a batina para se casar,  ele celebrou o casamento dos meus pais, há cerca de 55 anos atrás.)

2 comentários:

  1. "Até hoje, quando vou à Aparecida (hospedando-me em Guaratinguetá, mas isso é outra história) sinto-me cristã, católica, e devota de Nossa Senhora apenas ali, naquela.... capela".

    Regina, embora não seja mais católico romano (fiz Seminário D. Orione em Brasília e em Belo Horizonte para ordenação sacerdotal), compreendo bem essa tua memória afetiva deste teu texto poético. Tirei do seu texto o "verso" com o qual mais me identifiquei. Essa frase sua é mesmo reveladora da alma católica. Parabéns pela sensibilidade.

    Abraços sempre afetuosos.

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  2. Engraçado que minha memória afetiva da Basílica é também de ela estar pronta. Como a famílias de meus pais moravam em São Paulo, nós pegávamos a Dutra pelo menos 2 vezes ao ano. E sempre depois de uma determinada curva em uma descida, ela aparecia. Primeiro um pedacinho depois aquela forma redonda que não entendia. Sabia que era uma igreja, mas eu achava o traçado diferente. E assim, ano após ano eu acompanhei aquele "monte de tijolo vermelho" se transformar no maior santuário do país. Nunca entrei na basílica, mas ela é uma das igrejas que sempre me emociona como uma velha amiga

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