sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CAI A NOITE



Enquanto eu te beijo, o seu rumor 
nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro 
que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro 
da árvore que é a árvore de meu amor.    

Não é fulgor, não é ardor, não é primor 
o que me dá de ti o que te adoro, 
com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro, 
é o ouro feito sombra: a tua cor. 

A cor de tua alma; pois teus olhos 
vão-se tornando nela, e à medida 
que o sol troca por seus rubros seus ouros, 
e tu te fazes pálida e fundida, 
sai o ouro feito tu de teus dois olhos 
que me são paz, fé, sol: a minha vida! 

Juan Ramón Jimenez

2 comentários:

  1. Este poema é um abraço gostoso. Dá para sentir direitinho a troca dos afagos no vai-e-vem do ritmo dos versos.

    Lindo!

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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  2. Caleidoscópio de carinho, expresso num lindo suspiro poético.
    Parabéns!

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