segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O INTELECTUAL MUDOU DE LUGAR


Eu sou de uma época que o “mala mor” dos movimentos reivindicatórios era o “intelectual de mesa de bar”. Irmão do “técnico de futebol de mesa de bar”, o intelectual representava aqueles caras “geniais” que derrubavam governo, proclamava a anistia e determinavam eleições diretas já, tudo entre um trago de cigarro e uma bicada na cerveja. E, claro que o bom intelectual de mesa de bar achava que “aqueles burguesinhos” que iam para as ruas em passeatas estavam perdendo seu tempo.

Bom, muitas tragadas e bicadas depois, o grupo dos intelectuais de mesa de bar evolui muito: saíram do bar e foram para frente do computador... Sim, agora é no Twitter, Facebook e assemelhados que eles atuam. E sempre prontos a criticar qualquer manifestação de protesto. Sim, eles continuam achando que é a burguesia que está nas ruas ou que é tudo um bando de imitadores do que ocorre na Europa e Estados Unidos e, principalmente, que nada vai adiantar.

Se no Rio foram poucas pessoas para às manifestações é porque o carioca só quer saber de futebol, cerveja e praia. Se, foram muitas em Brasília, é que “pudera, lá não tem mesmo o que se fazer...” Agora, nem tentem desafiá-los a dar uma sugestão prática. Perda de tempo. O bom intelectual de desktop é como o Chacrinha: estão por aí apenas para complicar. Assim, dependendo da posição política dele, haverá citações e mais citações de pensadores e sociólogos e nem uma resposta sobre o famoso “sim, mas, e daí, vamos fazer o quê”?

O intelectual de desktop é igualzinho ao seu tio dos anos 60 a 80, o negócio dele é filosofar, descarregar toda a verborragia (desconfio que alguns até escrevam copiando sentenças inteiras) e reafirmar sua absoluta descrença no país e nos brasileiros. Mas, devo confessar que o que mais me irrita é a falta de humor deste pessoal. Sim, parece que realmente todo o radical e todo o pedante sofrem de mau humor crônico. Sem falar no patrulhamento.

O mala não participa de nada na vida real, mas adora virtualmente esculhambar quem o faz. Ele também nada contribui para o debate e para a interação com os outros, mas aí de você se fizer uma piadinha ou falar do Flamengo ... Agora há algo que me preocupa e muito: se o intelectual da mesa de bar era um ser inofensivo e quase folclórico, o sobrinho dele é perigosíssimo. Sim, por que o intelectual do desktop despeja suas sandices e radicalismo por toda uma rede. Ou seja, para grupos heterogêneos e pode, com sua ironia, picardia e amargura, prejudicar toda uma tentativa de mobilização e de cidadania.


Mirtes Guimarães, jornalista mireiroca que traduz o cotidiano para o blog.


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CADÊ A PALAVRA QUE ESTAVA AQUI?

5 comentários:

  1. Jorge @atakardiac24/10/11, 12:47

    Valeu Mirtes. De vez em quando é bom reforçar o civismo e como diz o Falabela, tem hora que vc agita a bandeira do Brasil. Afinal é a sua casa.

    Quem não cuida de sua casa vive na imundície.

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  2. O que me irrita mais que tudo é o patrulhamento desses "intelectuais" cibernéticos em cima da turma que está do mesmo lado, que já me leva a pensar num jogo duplo, uma trairagem. Hoje, estou mais atenta a isso, que antes, achava fosse só falta de educação.

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  3. Ciber-chatos foi sensacional. Grande artigo.

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  4. Eu nao acredito em MARCHA sem propósito. Pessoas andando pro mesmo lado, é MARCHA? Mas cade a função politica da caminhada? Nenhuma.
    Acredito que a força da manobra ou da ação politica com proposito é o debate com conteudo. E, contamos nos dedos da mao quem está pronto pra fazer isso... A maioria so quer bater em petista e reclamar, reclamar... Como os parlamentares que so vivem de discurso.
    O RJ se afunda cada vez mais na lama e nao vejo mudança, mas marcha com certeza... E o que faremos?
    Como eu sempre digo, HORA DO PAU! Ou tiramos os caras do conforto por serem intocaveis, ou nem com MARATONA algo mudará.
    Ademais, ta virando mestra, hein prima? Smackkk

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  5. A gente que está na web a séculos está acostumada com os cyberpentelhos. Eu não tenho dó, da mesma forma que qdo chato se aproxima de mim na vida real, dou um passa fora, na web uso outra arma: block sumaríssimo: sem direito a ampla defesa ou contraditório. Pq cara que acredita em comunismo em 2011, não tem mais salvação.

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