sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O SOCIALISMO PETISTA DO INTERIOR DAS MINHAS GERAES

(Igreja N.Sra. de Fátima, de Luz-MG, a mais antiga construção da cidade)

Maria José é uma professora de português da rede pública de Minas Gerais, de 66 anos. Ela nasceu e mora em Luz, uma cidade às margens da BR 262, pertinho de Dores do Indaiá, e a 180 km da capital mineira, Belo Horizonte, com cerca de 17 mil habitantes, que é governada por um padre petista. Ela é prima da finada avó paterna da minha filha, e chegou em Brasília ontem à noite,  junto com a família de um de seus filhos. Filho, nora e dois netos estão hospedados na minha casa, e Maria José, na casa da tia-madrinha da Mari. Jantamos todos juntos ontem à noite, na minha casa, uma farra naquele estilo bem comum nas grandes famílias mineiras. Hoje pela manhã, ela foi lá para casa de novo, e todos reunidos em volta da grande mesa da cozinha - outra praxe das famílias mineiras - tivemos um bom "papo sério". O assunto começou com a campanha do desarmamento. 

(Tecla SAP para o delicioso sotaque mineirim, numa fala clara e calmíssima)
- Aqui, mas cê é a favor do desarmamento? Inquiriu-me Maria José.
- Totalmente contra!
- Minina, vou te explicar direitinho o que a Dilma (sim, eu não cito o nome da presidente, pois não é minha amiguinha, mas ela cita nominalmente a de cujus e serei fiel à história) tá fazeno com a gente, e ninguém tá percebeno. Ninguém tá veno o pirigo. Cês aqui estão mais protegidos. Mas a gente no interior, ocê não tem ideia de como eles prejudicam a gente. Do que eles fazem com a gente.

Abaixa mais ainda a voz, o queixo, me olha firme, e me alerta, gravíssima:
- Regina, o que essa Dilma quer fazer é implantar o socialismo no Brasil. Eu falo pros meus meninos (dois "meninos" mais velhos que eu) pra quê que oceis trabalham tanto, não sei. Daqui quatro anos, ninguém mais vai ser mais dono de nada, mesmo!  Olha o (fulano, dono de uma rede de supermercados, segundo ela) contou como é em Cuba. Ele teve lá e voltou decepcionado, achava que era invenção, que lá era bom.  O governo te dá um sapato e obriga a ficar só com ele, por tanto tempo. Se acabar, você fica descalço. Comida é uma miséria, ninguém pode nem plantar horta no quintal sem o governo deixar. Aqui tá a mesma coisa. É assim que começa. Eles vão tomando conta de tudo na vida da gente. Até tomar tudo o que você tem. Começaram exigindo que você ponha uma placa na sua casa "ó, ladrão, cê pode vim roubar aqui, aqui não tem arma, não". Outra coisa, os livros do FNDE que chegam na escola, cê precisava ver, não tem condição de ensinar ninguém. Se não é a gente se virar, esses meninos não tem condição de aprender nada. Está tudo errado nos livros. A gente compra o que dá, para a biblioteca da escola. E nem usa os deles, porque ensina burrice. Pelo governo, eles não vão saber escrever e fazer conta. Por isso que esses meninos mais novos hoje em dia não reagem mais contra nada. O governo vai tomar conta de tudo.

Gugu, o filho, e Elaine, a nora, que também é professora de português da mesma rede pública, passaram a narrar, do jeito deles, situações do dia-a-dia de uma cidadezinha muito do interior, mas onde eles sentem, na carne, na pele, no suor, tudo o que a gente escreve, detona, critica, questiona, sem usar as mesmas palavras que nós: o domínio totalitarista do programa do PT, que está lá no site vermelho, em pleno curso de implantação nestepaiz.  

Se fiquei surpresa com Maria José? Sim. Muito. Porque com sua fala mansa, seu sotaque com o perfume das minhas raízes e sua sabedoria de mãe, dona de casa e profissional do magistério há mais anos que eu tenho de vida, confirmou que sabe o que jamais pensei que ela pudesse ver, na vida pacata que leva lá em Luz. E me deu esperança de que nem todos são cegos, surdos e muito menos, mudos, quando me contou que trouxe de Israel (esteve numa excursão naquele país recentemente) livros e DVDs sobre nazismo. Passou na escola, para os professores, e me disse ter ficado horrorizada porque os professores de HISTÓRIA não tinham a menor ideia, nem deram a menor importância, para a história de como se deu a implantação do nazismo na Alemanha.

A conversa, regada a muito "cafezim" estendeu-se do direito à propriedade privada, ressaltando ela que a patrulha ambiental  está tomando aos poucos a terra do produtor rural, impedindo  a capacidade de produção através das "reservas legais"; da criação de impostos (retroativos) sobre imóveis, de forma que o governo acabará por tomar a casa da pessoa por ela não ter como pagá-los; da destruição da educação pelo MEC como forma de dominação, impedindo que as pessoas aprendam a reagir à ela, a destruição. Tudo com vistas a que o socialismo até 2014 esteja bem estabelecido. Contas que ela faz. E fatalmente a prosa chegou nas cartilhas pornoeducativas, que ela e Elaine contaram que chocou a todos. E que sabiamente, as professoras das duas escolas enfiaram de volta nas caixas, escondendo-as num porão qualquer, longe, inclusive, da escola. Para que as crianças não levassem manuais de orgias sexuais para casa.

Estou orgulhosa dos meus amigos. E de termos dividido, no jantar de ontem, saído do meu fogão, sob a minha alquimia, um bacalhau fresco (existe, congelado, mas não é o seco tradicional, hehe) ao forno, e um risoto bem cremoso, que ninguém é de ferro. E lógico, a vitamina: vinho, cerveja e whiskie, que os rapazes não vivem sem. Hoje tem mais.

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1 comentário:

  1. maravilha de texto, de conteúdo e de família!!!!!!
    o pessoal de Luz faz parte da famosa: maioria silenciosa que sabe tudo, entende tudo, mas fica só assuntando para agir nas pequenas coisas que puderem. E é a soma destas pequenas coisas que faz a resistência.
    no mais, depois me manda a receita...

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