quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CAI A NOITE


Quando eu abri minhas janelas
Despi meus braços das armaduras
Deixei de sonhar - não há mais sonhos
Reconheci-me incapaz de seguir
Sem tudo o que prometias à minha prova
Decidi - vem, entra, pode chegar.

Contigo trouxestes a brisa do tempo do gênio
O perfume de raízes retorcidas de teu pescoço
O som do vento de tua voz
O brilho da névoa dourada dos teus olhos
O encontro neste nosso não-paraíso
A dureza de tuas determinações até a sofreguidão dos teus lábios
Contigo vieram as palavras que calam o teu silêncio introspecto
E gritam sentidos no caminho de teus dedos até meu coração.
Quando eu abri minhas janelas
Senti dentro de mim o tempo
Criar silêncio e eco
Para que só tu pudesses ocupar
O vazio que nunca havia encontrado
Que habitava-me impertinente em tua ausência
Até que entrasses para sempre.
Viestes. Então amei a noite que me faz companhia
A chuva vista da rede que balança
A madrugada em que amanheces em mim
As sombras das dúvidas que permanecem
A combustão secreta quando aos meus tu misturas
Teus fluidos, os sons e aromas suspensos no ar.
Desmaiada em teu ombro espero
Pelo amor de ontem como o de hoje
Dito e redito por tuas letras intensas
Verdade que só nós dois podemos exprimir.
Tu tens e guardas a chave das janelas
Não há mais reservas para teu alimento
Que fecundas em mim, com teu beijo em mim,
Todinha.

4 comentários:

  1. Lindíssimos versos.

    Um anjo tirando as asas para deixar-se voar nos beijos do seu amor.

    Adorei!

    Ótima sexta-feira para você!

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  2. Lindo de viver!!!! Parabéns, querida!

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