domingo, 13 de novembro de 2011

CAI A NOITE



Se tuas mãos pertencem a ti teus seios pertencem aos outros

Como tua boca onde tudo volta a ter gosto
A vela de teus seios se inflama com a vaga
De tua boca que se abre e reúne todas as margens

Bondade estar ébria de fadiga quando cora
Teu rosto rígido e que tuas mãos se esvaziam
Ó minha ágil e a mais lenta e a mais viva

Tuas pernas e teus braços superam a carne compacta
De atrevimento e arrasada compartilhas tuas forças
A todos dás alegria como uma aurora

Que se espalha no fundo do coração de um dia de verão

Esqueces teu nascimento e ardes tua existência
E te partes como um fruto maduro ó saborosa

Movimento bem à vista espetáculo úmido e liso
Abismo transposto muito baixo voando pesadamente

Estou por toda a parte em ti por toda parte onde pulsa teu sangue

Limite de todas as viagens tu ressoas
Como uma viagem sem nuvens tu te arrepias
Como uma pedra desnudada pelos loucos jorros de água

E tua sede em estar nua extingue todas as noites.

Paul Eluard

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