quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CAI A NOITE



De olhar calmo como a água ao sol
Inquieto como a inteligência simples
Aqui, lá, em qualquer lugar
Onde a noite espera
Ah, espera...


Levas teu olhar para casa
O meu com ele
Olhos que me conhecem
E já não posso mais voltar.

Em qualquer lugar, aqui, lá
Carregas contigo a prometida marca
Que me entregarias em urgência;
Cravada em ti. De joelhos tão tua
Em ti tens gravado o momento ansiado.

De olhar calmo como o céu azul

Onde a noite espera eu espero
Teu regresso sem nossas marcas
Físicas - de resto tudo é tomado!

Há uma expectativa, prognóstica.
Há uma saudade, viva.

Tu chegarás, na volta estenderás os braços
O importante é caber no abraço.

Seremos os mesmos, outros
Seremos do outro, os mesmos
Tudo em seu lugar - não mais sem lugar
Amanhecerá. A manhã, amanhã
Cada amanhecer uma manhã a menos
Mais perto.

De olhares, de tocares, de cantares
De sabores, de dores, de quereres.

Então a terra se abre, úmida
Exala perfumes fecundos.
E de olhares para mim
Entrego-me à dança...


1 comentário:

  1. Ufa! Voltaste... E em rítimo de tango! Amo tango. A foto é linda e suas palavras brincam com minhas retinas. Sempre. Não demora tanto assim de novo não...

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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