domingo, 13 de novembro de 2011

É DOMINGO - A VERDADE É VIRTUDE DA VONTADE


A serenidade não é apanágio senão de quem alcançou um conhecimento imutável e infalível sobre o mundo: os demais tomam agora uma decisão, depois arrependem-se e permanecem indecisos sem saber se hão-de levar ou não até ao fim os seus propósitos. A causa que os faz andar assim à deriva é eles guiarem-se pelo mais falível dos critérios: a opinião comum! Se queres que a tua vontade permaneça a mesma, terás de só desejar a verdade.  
Ora, à verdade não podemos chegar sem conhecermos os princípios básicos da filosofia, os quais incidem sobre a totalidade da vida. O bem e o mal, a moralidade e a imoralidade, a justiça e a injustiça, a piedade e a impiedade, as virtudes e o emprego das virtudes, a posse de bens úteis, a reputação e a dignidade, a saúde, a prestança física, a beleza, a acuidade dos sentidos — tudo isto exige da nossa parte uma correcta capacidade de avaliação. Há que saber quanta e qual a importância a conceder aos meios de fortuna. Tu, efetivamente, laboras em erro ao atribuir a certas coisas maior valor do que o devido, e laboras tanto mais em erro quanto é certo que coisas consideradas entre nós como especialmente valiosas (riqueza, influência, poder) não valem, na realidade, sequer um sestércio. Ora, a isto não poderás chegar se ignorares a proposição de base através da qual acedemos à determinação do valor respectivo de cada coisa. 
Assim como as folhas, isoladamente, não podem estar viçosas e precisam de ramos em que se sustentem e de que recebam a seiva, assim também todos esses preceitos, desamparados, murcham; as podas só medram se plantadas! 
Sêneca, in 'Cartas a Lucílio'
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