quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CAI A NOITE

Noite de sonhos voada 
cingida por músculos de aço, 
profunda distância rouca 
da palavra estrangulada 
pela boca amordaçada 
noutra boca, 
ondas do ondear revolto 
das ondas do corpo dela 
tão dominado e tão solto 
tão vencedor, tão vencido 
e tão rebelde ao breve espaço 
consentido 
nesta angústia renovada 
de encerrar 
fechar 
esmagar 
o reluzir de uma estrela 
num abraço 
e a ternura deslumbrada 
a doce, funda alegria 
noite de sonhos voada 
que pelos seus olhos sorria 
ao romper de madrugada: 
— Ó meu amor, já é dia!... 

Manuel da Fonseca

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