terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CAI A NOITE



Hoje vieste me ver e sem tocar-me carregaste-me contigo
Rompendo a densidade do caminho
Trouxeste o perfume do tempo em tuas palavras
Trouxeste em tua retina histórias carregadas
De contos de nossa história.

Já vivemos de tudo e tanto nos dissemos
Já deu muitas voltas ao mundo nosso álbum de paisagens.

Contigo fui devagar ver o tempo passado descrever-se novo
Retratos de paragens transparentes no olhar
Corpos cansados das pedras que colhemos - e acumulamos
Não houve um tempo... foi o tempo todo.
Ouvi meu próprio canto coroando as nossas estradas
Materializado no leve entoar das asas que vejo em ti
Quando em forma de Anjo escolhes visitar-me.

Das tuas frases colhi ramos cintilantes e trancei a luz do gênio
Em flechas para incendiar os instantes compulsórios de silêncio
E revelar-te ao mundo com o que tens de melhor.

Tu, despido de tuas armaduras com minhas mãos nas tuas
Reconheces o tempo passado que se torna presente
A saudade como parte de nós dois.

Revemos o tempo passando de fronte como se um novo fosse
Para nele escrevermos o tempo que deixamos sem haver
Que a nossa história conta e nossas vozes cantam
No canto do nosso olhar
Tempo feito vazio repetido em labareda de nenhuma promessa
É sem essa que ele se cumpre como o tempo de nunca cobrar.

No canto do nosso olhar a afirmação se faz
A espera acontece, o tempo nos favorece.

Sem comentários:

Enviar um comentário