domingo, 25 de dezembro de 2011

SAUDADES DE UM QUILO DE SAL



Estou escrevendo ainda sob o impacto do filme Tudo pelo Poder. Dirigido e co-estrelado por George Clooney, o filme que tem entre os produtores Leonardo de Caprio, fala sobre a descoberta de que as pessoas não são tão boazinhas como demonstram. Mas, a pergunta que fica é: afinal quem é mesmo o cínico fdp na história?

Nesta questão, o título em inglês, Idos de Março (como é conhecido o episódio da morte do imperador Julio Cesar) sugere muito sobre o enredo. Mas para mim a coisa vai além de apunhaladas literais ou reais do filme. Ela chega até nós os espectadores. E é a forma como que ela chega que me fascinou e me assustou ao mesmo tempo. Senão vejamos, o filme nos faz acompanhar fatos sem prévias ou posteriores explicações. Ou seja, há o político idealista do partido democrata, o jovem assessor e admirador, profissionais experientes, estagiária, o oponente das primárias, os jornalistas. E, aposto que, só com estes dados, você já fez sua aposta de quem é quem na história.

Pois é, aí que vem a pergunta de um milhão de dólares: quando mesmo é que perdemos a inocência? Quando mesmo é que nós passamos a aceitar que poucas e direcionadas informações são suficientes para que a gente considere alguém culpado ou inocente? Em que momento ficou decidido que já não vale mais aquele velho ditado mineiro que alerta que a gente só conhece alguém depois de dividir um quilo de sal? Por que agora duas gotas de adoçante já nos bastam?

Sim, sem julgamento de mérito, o fato é que duas gotas em um cafezinho já transformam conhecidos em amigos de infância. Outras duas colocadas no chá que se toma enquanto se lê um livro, transformam o leitor em um expert no autor. Mas, nada é mais cruel e perigoso do que a conseqüência disto no nosso senso de justiça. Se um quilo de sal nos tornava, talvez, mais tolerantes as duas gotas de adoçante estão nos radicalizando.

Agora todos, principalmente quem tem pensamento oposto, são culpado e caberá a eles provarem ao contrário. E pior, para derrotá-lo ou no mínimo para se dar bem, tem que ser mais ardiloso, astuto, e manipulador. Atualmente, “Em Roma, como os romanos” perdeu o significado agregador e ganhou uma roupagem cínica. E a grande questão que fica é: até quando a bancada do sal resistirá? Eu farei minha parte para que ela seja vitoriosa em 2012.

Mirtes Guimarães, jornalista mireiroca que traduz o cotidiano para o blog.

Arquivo:

7 comentários:

  1. Lelezinha_09 (Zinha)26/12/11, 20:33

    Pôxa,Maninha,agora estou súper curiosa para assistir a este filme! Deve ser mto interessante!
    Parabéns! Como sempre,vc atiça nossa curiosidade! rs
    Beijins!

    ResponderEliminar
  2. Que coisa, vc leu o meu dia! Hoje, não tem quilo de sal, anos de travesseiro, meses de conversas e intimidades, nada. Ninguém confia em ninguém, ninguém respeita ninguém, chegamos ao ápice do egoísmo humano, que de fato é o ápice de sua fragilidade. Blue

    ResponderEliminar
  3. Sabia que você iria gostar...(rs)

    ResponderEliminar
  4. Quero perder a ingenuidade todos os dias, e pelo mundo que se apresenta, como diz a Blues, toda ingenuidade perdida ainda é pouco. Parece ruim viver assim. Mas é só cautela.

    Em tempo: ainda me resta um ponto de confiança nesse universo, mas, apenas... #TheRock!

    ResponderEliminar
  5. Não é porque eu a chamo de prima, que vou elogiar o texto...
    Eu vou elogiar o texto justamente pelo MOTIVO pelo qual eu a chamo de prima...
    DISSE TUDO, Mirtes !!!
    Minha bateria já apita, mas vale a pena... VIU A COBRA, NÃO FUGIU, MATOU E MOSTROU O PAU!!!
    Perfeito!
    E antes de mais nada, ESSA MINHA PRIMA DÁ UM ORGULHO DANADO!!!

    Beijos a todos!
    Feliz 2012.

    ResponderEliminar
  6. Meninas
    Não desanimem! Juro que ainda vale à pena ser da bancada do sal!!!!!

    ResponderEliminar
  7. eu acredito tb que vale a pena ser da bancada do sal, como existe pessoas que comam juntas 1kg, 2kg, 3kg de sal, como dizia minha vozinha.

    ResponderEliminar