terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CAI A NOITE



Horas de riso franco Dias de tempestade, eternidade em silêncio
Poderes revelados nas pontas dos dedos
Palavras que me envias Em sons e letras
Me trazes em teus lábios Quando os teus lábios a mim trazes

Há tanto e tão longo tempo Fizeste-me de tuas palavras Confessa cativa
Morro escrava e me liberto viva Dentro de teu verbo Dentro de ti
Ser Bem dito

Encontramo-nos nas palavras As que trago-te Prenhas
De ternura e atroz simplicidade Guardam a mudez das horas
Que a mim, a ti e ao fogo Ata-nos sem enfeites à verdade

Outro sol ou outra sombria curva Uma lua ou nenhum outro astro
Mesmo espírito, insuspeita confiança Atados o nó e o mesmo laço
Não menos que amizade Leve, branda, delicada sólida aliança
Sustém os nossos sorrisos De reservada cumplicidade
Elaborada e soerguida no infinitivo Daquele Verbo conjugado

Nas palavras nos encontramos
Conjugamo-nos.

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