quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DIÁLOGO SOBRE A LOUCURA


Como alguém, que não é especialista em medicina psiquiátrica, pode avaliar quando outro alguém (ou um seu ato) possa ser classificado como louco? Loucura intrínseca ou temporária? Insanidade do tipo "patia" ou subjetiva? Cada vez mais, ao olhar em volta, a qualquer distância, dez passos de mim que seja, a qualquer tempo ou lugar, parece que esbarro em algo meio louco ou algum tipo de situação que, sem querer, exclamo (mesmo que em pensamento): "que loucura!".

O mundo está mais louco ou mais livre, ou mais preso e dominado, ou mais perdido em si, tornando os seus habitantes tanto ou mais que o próprio mundo, propensos à insanidades diversas... Como tudo na vida moderna, essas doses de loucura têm dois lados. Há quem deseje - eu própria me pego louca de vontade enlouquecer, por vezes, quebrando regras e amarras quaisquer - um punhado de doideira para sacudir alguma pasmaceira, e isso pode ser divertido, sem prejuízos maiores. Mas há o dark side, aquele das loucuras mal-intencionadas, e é este que me motiva tantas questões, agora.

Há certos tipos de loucura que me confundem, mais que outros. Perco-me na incapacidade de avaliar, apenas com base na observação e na razão, o que seria apenas um exercício de loucura verbal, trololó, conversa fiada, desabafo desagradável mas inofensivo; ou se a loucura é tanta que possa vir a termo, a qualquer momento, aquela ação prometida, com ares de ameaça. E parar para pensar sobre isso, geralmente à custa de outra atividade mais importante na minha vida, e honestamente, até do sono e da saúde, também não seria loucura minha? Bobagem, exagero ou cautela?

Loucura chegar à conclusão que ninguém é completamente louco ou ninguém é completamente são? Loucura concluir que uma figura a dirigir-lhe atos obsessivos  por sabe-se lá quanto tempo, motivada sabe-se lá por qual visão deturpada da realidade, de si, turvada por alguma paixão - possivelmente do tipo que envolve muita raiva, ciúmes, desgosto, ódio e a própria alma, miseravelmente incapaz de reconhecer os seus erros, culpando terceiros - possa te levar, por sua vez, à loucura, de tanto nisso pensar?! E pensar se é o ato, isolado, ou se é o ator, por si, que seja louco...pode te levar a COMETER algum ato insano? O "tributo" à Fatal Attraction ali abaixo ilustra bem como uma loucura pode levar uma pessoa sã a cometer das suas...

Talvez você leia tudo isso e pense que eu fiquei louca, porque não faz mesmo muito sentido questionar sobre loucura, sem chegar a lugar algum. Não tenho, para não variar, nenhuma resposta. Apenas quanto mais me pergunto, mais tenho perguntas. Quanto mais eu penso sobre o que tenho visto e considerado como loucura, mais percebo que estou sujeita a uma incerteza eterna, que me apresenta sucessivamente, bens e males diversos, muito próximos de mim, e ao mesmo tempo, que me escapam, sempre. 

Só o que me resta é esperar. E continuar a pensar sobre, tentando não cometer loucuras por conta das loucuras que me cercam...


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3 comentários:

  1. Pois a loucura tem mais de um tipo, devidamente caracterizados na linguagem popular (o que sinaliza um saber consensual).
    Se estás sujeita a uma incerteza eterna, então não és "doido de pedra", aquele cuja certeza chega a materializar-se, portador de uma idéia fixa.
    O extremo oposto, o do "doido varrido", designa aquele que não se fixa em idéia nenhuma, sendo permanentemente instável, a sua percepção.
    Generalizando, ao menos nos extremos trata-se de uma questão de fixação: total num caso e inexistente no outro.
    Deve haver inúmeros estágios intermediários, a receber designações mais benignas. Tipo teimosos, sem-noção, estúpidos, porras-loucas, etc.
    E qual será o lugar da sanidade?
    Será a sanidade o conhecimento de que se está em algum lugar, mas que esse lugar é apenas um dos que se pode estar? Será a capacidade de administrar a fixação da percepção?
    Pô! Agora, para enviar o comentário, preciso provar que não sou robô.
    É isso! Loucos também, são os estritamente racionais!

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  2. Alex, a personagem antológica da brilhante interpretação de Gleen Close, é um tipo que, em menor, igual ou maior grau, está por aí. Vai começando, devagarinho, com pequenas coisas, confundidas, relevadas e até aceitas como "paixão" (neste caso). E sem um "DEFCON 1" ligado, vai aumentando, aumentando, até sabe-se-lá que loucura, enfim, chegar. Quem pode culpar o outro lado, caso seja levado, por uma loucura assim, a cometer a sua própria loucura? Eu, não. Não culpo.

    DEFCON 1 ACIONADÍSSIMO! E NÃO SÓ O MEU...

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