sábado, 17 de março de 2012

CAI A NOITE

Há muito, longo, já se vai longe o tempo
Emerjo para a vida em tuas mãos

Em tua verdade Sílaba a sílaba, em tuas palavras
Presenteadas como se um deus te dissesse
"Vá, dê-as! À única que as merece"!

Tu precisas que eu precise sempre saber
Que toda a tua palavra é sagrada
Nela depositas a tua alma confiada
Em meu presente - até o futuro
(Que por inexistente, a nós é indiferente)
À sombra e à luz de tuas palavras, entrego-me
Hoje, mais que ontem e mais contente.

Tu, tua palavra, a vontade, teu poder e fogo
A verdade, nossa liberdade - tu me transformas
Como faz com o trigo, a terra - para só depois tornar pão
O que queres, fecundas em mim - há muito tempo então
Todos os dias sem mancha nem abrasão, 
puro início 
Tua palavra, presente Tempo novo... 
És tu e tudo o meu puro vício!

Nunca há em tuas palavras nada
Nem fúria ou raiva de que eu possa acusar-te
Nomeias pedra por pedra, arte por arte
Pétalas são pétalas, o horizonte não é o mar
Nós, eu e tu e mais o Verbo - infinitivo 
Pura integridade, não precisas nomear 
Intransitivo. É a tua ação, tu em mim,
E eu em ti - a conjugar-te.

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