terça-feira, 20 de março de 2012

CAI A NOITE


Tens a natureza de navegar calmo em terreno acidentado
De raízes profundas em pedregulho mergulhadas
Troncos baixos, retorcidos pouca sombra, cascas grossas
São teus contornos - resistentes - do cerrado
Trazes o aroma do mistério da mata em teu pescoço
A voz constante, baixa, serena como o veio d'água
Que corre no fundo do quintal da casinha debruçada
No alto do penhasco, branca, caiada

E me tomas - me adonas - com as tuas mãos
Tão seguras, rígidos gestos de tuas certezas
Que prendem os desejos do teu corpo
Com os teus lábios descidos aos meus - os teus sabores
Sem silêncio doas a tua boca o teu gosto à minha
Entregas o teu beijo, áspero, calejado do teu poder
Até que eu, que não te resisto. não mais existo e tu,
                                                    [faminto, sedento]
Reescreves em mim e em mim redesenhas
Tudo que somos, de onde viemos, o que nos fazemos

Então recosto-me refeita sob teu olhar de tanta saudade 
Dessorada - Já em água e sal liquefeita
Capturas tu uma só das lágrimas, beija-me a testa 
Em teus braços me instalas como a uma criança perfeita,
Até que em tuas ternuras eu me esqueça em ti, 
E acolhido em mim, eu te adormeça.

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