terça-feira, 17 de abril de 2012

OPINIÃO, VONTADE, LIBERDADE E BATALHA

Escravidão consciente e voluntária: 
suprime tua opinião e ajoelha escravo das opiniões alheias. (BSchopenhauer)

De vez em quando, redigo que ninguém pode me "acusar" de isenção, porque eu tenho opinião. Quem tem opinião, não é isento. No mínimo, defende a própria, ou seja, tem um lado: o seu. Ocasionalmente, ter e defender, sem temor de nada, uma opinião - a própria -  é caracterizado como arrogância.  Mas não tenho a menor dúvida: só os fracos "acusam" algo assim.

Ter opinião e se abster de defendê-la é um crime que se comete contra a própria liberdade.  Pior do que não ter opinião - sim, há quem não tenha opinião - é negar que a tenha, escancarando-a em atos falhos, ao usar e abusar de adjetivos, por exemplo. Eu não tenho opinião formada sobre muitos assuntos, por falta de conhecimento e/ou interesse.  As que tenho, no entanto, defendo,  contra minha própria tranquilidade: muitas causam-me mais dissabores do que outra coisa. Não me importa. Se deixo de defender minha opinião, deixo de existir.

Opinião se defende com verdade. Não a falsa, aquela que aos fracos serve para  mascarar suas faltas (e sua falta de opinião). Sinto, tal qual Goethe, prazer malicioso em não colocar a descoberto, tais procedimentos, quando me deparo com eles. Afinal, com a falsidade, por quê gastar a verdade? Deixo passar. Os tolos têm todo o direito de enganar os tolos. 

É tentador viver no mundo conforme a opinião coletiva. É fácil. Defender a própria, exige e cansa. Principalmente nesses nossos tempos, onde a coletividade é enaltecida, e o valor individual, convenientemente proibitivo. Coletividade alguma, isso é fato, expressa liberdade. Por si, pressupõe a supressão do pensamento individual, em nome do "interesse social".  Onde não há liberdade, não há opinião. 

Essa coletividade pregada para a conveniência fundamentalista que nos cerca, determina que o consenso seja uma obrigação. A intenção é a que está na frase do BSchopenhauer, que abre esse post: os poucos que têm capacidade de julgar precisam calar, e os que podem falar são aqueles completamente incapazes de ter opinião e julgamento próprios:  mero eco da opinião alheia, os que vivem de joelhos para ela. Mais do que detestar a nossa opinião, aqueles que pregam que tenhamos a mesma opinião que o "senso comum",  odeiam mesmo é o nosso atrevimento em expressar-nos, conforme nosso desejo. Odeiam a liberdade. Tudo bem. Em contrapartida, eu abomino a sua pobreza de espírito. A diferença é que essa é MINHA opinião, e eu a declaro.

Antes de ter opinião, é preciso pensar. Depois de pensar, e antes de expressar a opinião, é preciso tomar propriedade sobre o tema, ou seja, informar-se. É como disse o @Deci_cote, uma vez: "Escolhemos Tróia". Significa que precisamos e gostamos de ter, buscar, instigar, esmiuçar, e defender, a nossa opinião. E fazer isso tem sido, cada vez mais, a cada dia que passa, uma verdadeira batalha épica. Mas não somos Páris, menos, muito menos, ainda, Helena. Nossa alma é  mesmo a da batalha: seja como Heitor, seja como Achilles. Sem jamais fugir de uma boa pugna, ainda que a batalha tenha que ser vivida em silêncio.

(Clique na ilustração, acima, para ver as cenas de batalhas de Tróia.)

5 comentários:

  1. Marco Aurélio17/04/12, 14:24

    Eeeeeeeeeeita penga!!! Sim, sim, sim! Perfeito! Hoje em dia ter opinião contrária é um pecado passível de excomunhão social. E eu peco pra caramba, viu! rs Para ter opinião contrária à coletividade é preciso ter-se informado, pelo menos, um pouco mais... Amigos, ou melhor, colegas, já se afastaram, parentes já se exasperaram, já perdi paqueras (as mulheres imploram para serem enganadas, mas eu sou refém impotente da minha sinceridade... ou sou muito burro mesmo) e já fui ofendido de formas injustificáveis por causa das minhas opiniões divergentes. Mesmo assim, estou com o Bardo que, pelas bocas de Polonius, diz:
    "This above all: to thine own self be true
    And it must follow, as the night the day,
    Thou canst not then be false to any man."

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  2. Querida Regina

    A escravidão de que fala o nosso filosofo BSchopenhauer e que você coloca no texto como a "conveniência fundamentalista que nos cerca, determina que o consenso seja uma obrigação" tem sido execida com cada vez mais satisfação pela maioria bovina enquanto o país vai de mal a pior, quando nossa industria de mês a mês dá sinal de desmantelamento e cada vez mais viramos exportadores de comodites, a saúde deixou simplesmente de funcionar, quando o principal tema da educação é a educação sexual. Essa maioria satisfeita existe em função da junção de grupos e subgrupos benediciados pelos programas e bolsas do governo, pelas entidades sindicais e patronais que guiam o rebanho, pelos movimentos sociais e Ongs que sequer poderiam existir sem a mão amiga de delma. Essa satisfação bovina esconde no fundo o egoismo e sua perda de fé na sociedade e na democraciada; desde que o meu esteja garantido, que se f*** o resto, sentimento de que não escapa mesmo muitos dos que deveriam estar no nosso lado, vide a cachoeira de denuncias. E ainda assim, a nossa luta insensata beneficia a todos esses que abdicaram de pensar, que se agarram a seus pequenos benefícios, pouco importando que país vai legar as futuras gerações. São zumbis, estão mortos, completamente morto. Não percebem que os sinos dobram por eles. E ainda assim, não é pelo aplauso deles que lutamos, nem pela inexistente aprovação, mas é por nós mesmos. Viver assim, vazio, sem vontade pensar e lutar seria para pessoas que tem o nosso brio, pior que a morte no mais profundo dos circulos infernas de Dante.

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  3. Querida Regina,
    Tomei a liberdade de replicar este texto aqui:

    http://liberatusconscientiae.blogspot.com.br/2012/05/opiniao-vontade-liberdade-e-batalha.html

    Abraço.
    Luis Pereira

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  4. "Aceita o conselho dos outros, mas nunca desistas da tua própria opinião." (William Shakespeare)
    "Os adversários acreditam que nos refutam quando repetem a própria opinião e não consideram a nossa." (Johann Goethe)

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  5. Parabens, Regina!!!

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