terça-feira, 5 de junho de 2012

CAI A NOITE

Eu que nunca me importei, Não sabia 
De que palavra se integra um verso qualquer
Que o cansaço antecipado de tudo
Preenche com as palavras seu próprio poema
Fatigado, dorido, vivido.
Sem me importar, perdi o sentido do cenário, partido
De um cantar que é o meu, suspenso
Lento, ressonado, está em ti e em mim é ouvido
Eu que nunca me imaginei Não sabia 
De que olhar sobre as águas, sob o céu, é feito
Este canto a roçar o tempo, que não morre. Não morreu.
Enche de sentido, repetido, cada lugar
Da distância, retornada, que me abriga sozinha
Eu que nunca me admirei Não sabia 
Que era feita do meu próprio som, uma canção
Peneirada de sangue do amor vibrando minhas entranhas
A crivar as horas da minha vida e encontrar o silêncio
De quem não canta, mas ouve, longe tão perto de mim
Suave, sem alarde, da minha cabeça sobre meu chão.
E o suporte desta música, agora eu sei, é o gesto tocado
Trocado, o olhar, o encontro remido, o beijo estendido
O calor, o abrigo. O ritmo interior perpassando, 
Concentrado, luminoso, em teu timbre que me desdobra
Quando a ternura irrompe o silêncio, fascinada
Encontro o mistério do verso, do poema, do canto
É que eu te falo das palavras, e tu as devolve
Com teu farto sorrir. Apenas para mim.
E eu que nunca me importei, apenas sei.
Porque antes te amei, e só depois, me apaixonei.

1 comentário:

  1. Beautiful by all means and reading with the soundtrack....Awesome !

    Lunarscape

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