sexta-feira, 29 de junho de 2012

CAI A NOITE


Quero ser como tua simples leveza
Tal um peixe singrando n'água


Ser igual a ti, em som, lúcida calma
Igual à graça do pássaro singelo
Sem muitas cores nem cantos
Pois a ti basta o encanto - das asas
Como os anjos

Quero ser como tua encrespada raiz
Tal como o retorcido do cerrado

Ser igual a ti, em força, profundo lastro
Igual ao mistério milenar da floresta
Sem muitos enfeites nem caminhos
Pois a ti basta o tom - das folhagens
Como as árvores

Quero ser como a tua inebriante chama
Tal um candeeiro alumiando o tempo

Ser igual a ti, em brilho, matéria livre
Igual à claridade enfumaçada da vela
Sem muitas luzes nem calores
Pois a ti basta a justiça - do lume
Como apenas pode existir em alguém

Exato, como és, tu.

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