sábado, 23 de junho de 2012

FRATERNIDADE, IGUALDADE E O SIGNO DA CORRUPÇÃO



Os seres não são iguais, na natureza, e por sua natureza. Há os mais fortes, que lideram naturalmente, e os mais fracos, que são liderados, seja por comodismo ou por desconhecimento de que seja possível ter opinião e atitudes próprias, como indivíduo. Fato é que nada serve mais ao totalitarismo do que multidões adestradas sob o pretenso bom-mocismo da igualdade para a fraternidade.

De longa data, há o esforço nestepaiz que se erigiu no lugar do Brasil, de criação de uma manada que, de tão inerte, se convida ao habitat de uma humanidade caracterizada pela servidão. Serve-se aos interesses dos que a comanda e dela servem-se - sob o aspecto político - com sofreguidão. Tudo é feito para que as leis e seus benefícios não atendam à maioria, mas sim, sirvam ao desejo da minoria que detém o poder de controle, que nestepaiz é exercido fundamentalmente, via cargos públicos, via o voto, essa suposta ilusão de democracia. 

A tutela dos indivíduos se dá por via de mão dupla. Se por um lado, há o estado que os quer conservar sem iniciativa, cativos pela ignorância até formar neles a opinião de que assim são pessoas dóceis, humildes, cordiais, por outro lado há o próprio desejo dos mesmos indivíduos em serem agasalhados por esse estado. Isso, num regime que se pretende ser chamado de democrático é perigosíssimo, pois forma tal sujeição através da aparência de liberdade: as pessoas escolheriam essa alternativa. Cria-se a ideia de que o governo deve fazer tudo, pensar em tudo, decidir tudo. Que o estado, via seu governo, deve fornecer tudo e iniciar todas as ações que lhes vá mudar a vida, ou lhes conferir alguma vantagem. Pior, que conduza suas vidas, pois a esses cidadãos não interessa o trabalho de pensar por si, e conduzir-se por si. 

Para um governo que se pretende ser o único senhor e proprietário da vida dos seus comandados, há um sem-número de inações, e quando as há, são de um sem-número de incompetências que apenas por isso já deveria brotar no seio da tal "sociedade civil" o bichinho da insatisfação. Não é o que observamos. O estado tem mostrado que ainda pode ser muito mais presente na incompetência e inoperância do que o seu oposto, que seria menos antinatural. 

Diante da corrupção, um dos vértices da trilogia do mal do século junto à incompetência e ao totalitarismo, temos um governo que nada faz, e ao contrário, caminha em seu oposto: trabalha para a sua aceitação como um dado natural. Defende que o essencial é que os seus criminosos particulares pareçam muito inocentes, que as suas virtudes, pela graça do nascimento, não possam ser postas em dúvida, pois quem assim procede é "golpista" e que os seus crimes sejam aceitos como tendo sido apenas uma infelicidade passageira, uma bobagem qualquer, nunca sejam senão provisórios, claro, e por culpa exclusiva daqueles golpistas que ousaram atacá-los, contra o bem do povo. Geralmente, esses golpistas são a imprensa, que descobre e/ou divulga, alguns raríssimos políticos da oposição que sem velcro super-aderente ao "governo de coalizão republicano" e agora, principalmente, por qualquer instituição investigativa, como o Ministério Público, única que possui constitucionalmente a independência para investigar e denunciar governos e parlamentares, inclusive.

O governo promove, como já dito e redito, uma guerra nada muda nem surda contra aqueles todos que podem investigar e denunciar seus "malfeitos". A pressão dá-se por vias óbvias e até pelas tortas, tudo para que não chegue aos Tribunais. E se chegar, não há muito problema, pois nesses há mais pressão. Inclusive, incitando aquele que no início desse post foi classificado: o cidadão servil, pronto para exercer sobre o Judiciário, o que seria um desvio absurdo: a pressão da voz rouca das ruas, para que, mascarados na boa intenção da Justa, ajam subjugados pela opinião pública em detrimento, sabe-se-lá até quanto, da Constituição Federal. Todos os meios aplicados para que os Tribunais, em circunstância alguma cometam a insanidade moral de considerá-los culpados, menos ainda, atribuir-lhes quaisquer penas.

Estepaiz onde a corrupção deixa de ser acidente e torna-se a realidade maior, desmancha-se como empada, a olhos vistos, para quem não tem preguiça de mantê-los abertos. Estepaiz perde os princípios de uma nação há tempos, pelo comodismo de quem, já tutelado pelo estado, adora o conforto de uma rede social a dar-lhe a pecha de "indignado", mas que pode ser deixada para mais tarde, depois da rodada de chopp no boteco com os amigos. 

A sociedade brasileira, cria do estado, adora seu criador e torna-se, a cada dia, indigna da própria liberdade. Digo como mantra que a corrupção, como a morte e a misericórdia de Deus, são nossas únicas certezas. Já creio que esta, engendrada como está, e impossibilitada de ser investigada, denunciada e punida (#PEC37Não),  será em breve uma condição genética.

1 comentário:

  1. Muito boa abordagem, infelizmente estepaiz está caminhando para o precipício, e não podemos fazer nada, pois o povo acha que está tudo bem, e a revolução necessária teria que partir da população.

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