segunda-feira, 20 de agosto de 2012

NO DIA AO MEIO



É meio do dia - Imagino-te 
No gasalhado da noite
Depois do sol deitado no poente
Ao comer a comida mais gostosa
[que tu gostas
Imagino-te, passando ao largo
Avistado ou difuso
Na croa do rio...

Imagino-te - a qualquer tempo
No sol do dia, sereno de madrugada
Seco do vento, cabelo úmido à orvalhada
No cascalho, no chão, meio ao capim 
[que afagas com a mão
Imagino-te, no alumiado do fogão
Alegria doída, o fumegado do café
A broa de pão...

Imagino-te, à luz de fogueira 
Aba do chapéu, seja sol ou o aguaceiro
Aninhado na friagem do ano ao meio
[ou na rede do terreiro
Imagino-te, vendo-me ao longe
Raiz da gameleira, sombra do marmeleiro
Juncos, matos, lapinha de pedra
A um palmo, na escuridão...

No alcance do meu pensamento 
apenas imagino-te
Da força dos teus braços 
[quando correnteza em demasia
Da vagação ao ermo a parada p'rum beijo
[fomos além, aquela recordação
Apenas imagino-te, 
O teu piscado matreiro
Sorrisada na varanda - E vejo-te
Então quero-te comigo aqui 
- Inteiro.

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