sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O CARÁTER DO MENSALÃO

"Se estepaiz exportasse corruptos, seria a primeira economia do mundo." [BSchopenhauer]


Há uma espécie que grassa nestepaiz que detém desvios de conduta e caráter tão intrincados, que não se espera deles ações que não sejam condizentes com tal natureza. São criaturas que nos causam aquela bile, a bem amarga, a incomodar a garganta cada vez que surgem à nossa frente. Como vivemos cercados de notícias, não escapamos desse sentimento pelo menos em algum momento do dia. Todos os dias. Nesses últimos, cercados de julgamento do Mensalão para todos os lados, é o tempo todo.

O esforço para que se considere a corrupção como um dado da natureza, como afirmar o dia da semana, é imenso. A última prova disso foi (é) a tentativa de subtrair o termo "Mensalão" para referir-se ao... Mensalão, uma vez que este, por si, registra no inconsciente coletivo o maior escândalo de corrupção dos últimos tempos nestepaiz. Além da corrupção material, essa do desvio de dinheiro público nosso de cada dia, vivemos sob a égide da corrupção sistemática dos valores, das instituições, da sociedade e dos indivíduos. É o método de desgovernança, de modo que as práticas corruptas, que seriam consideradas desviadas de um padrão normal, são assim assimiladas como atavicamente naturais. 

Não é preciso nominar ninguém em especial como agente dessa corrupção. A descrição acima encaixa bem em qualquer um dos membros do desgoverno da Idade das Trevas III, carregado da herança maldita das versões anteriores, II e I. corrupção passiva, ativa, e massiva. Nesse sistema de corrupção dos valores e instituições, está a própria governança: o que são as greves como instrumento não apenas de chantagem dos "servidores" que não servem porque mais se servem, além de também um óbvio meio de pressão intestina, do PT contra o PT, sabidamente do PT sindicalista de Looola contra o PT que está no Planalto na pessoa da presidente da República? Como também é de sua natureza, a desfaçatez de seus métodos de pressão é também não se responsabilizarem pelos próprios atos. Isso também é desvio de caráter, além da corrupção. 

Está generalizada a corrupção, nem precisamos ser analistas profissionais da cena política para afirmar, porque o desgoverno é "popular": o estado é um bolo dividido, loteado, entregue em forma de capitanias para senhores dos grupos criminosos ocultos sob partidos políticos, que formam aquela bonita expressão democrática, "coalizão pela governabilidade". Logo, mais gente tem oportunidade de agir corruptamente à custa do estado. À custa de quem custeia o estado, ressalte-se. 

Chegamos à metade do procedimento do julgamento do mensalão? Sei lá. Apenas sei que não sei bem como terminará. Trata-se do Supremo Tribunal Federal, e dali, eu espero tudo. Inclusive vagarosa e lentamente, nada.

6 comentários:

  1. Faz tempo que não comento mas continuo lendo viram? Mais um execelente texto do Ailton.

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    1. Ô, Cacique! Faz tempo mesmo. Sei que também faz tempo não comento pelas Tribos dos Manaós! Mas olha, o texto não é do Ailton, viu?! É meu mesmo! É bem verdade que na blogosfera dos hards, podemos dizer que somos... co-irmãos, talvez! Mas se queria ir ao Bendito e confundiu, não tem problema. Estamos todos em casa... hehehe.

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  2. Regina, excelente texto, PARABÉNS!!!

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  3. Acho que fui induzido pela foto dele aqui do lado. rsrsrs De qualquer forma o texto é muito bom. Jocas carinhosas

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    1. Hehehe, Cacique, a foto é ótima né? A Casa, penhorada, agradece! Ok, ok, não precisa dizer... Jocas!

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  4. Vai passar, nem que seja quando eu estiver a caminho do forno crematório.

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