quinta-feira, 18 de outubro de 2012

DIÁLOGO COM A "RESPOSTA AO TEMPO"



Há um ano, escrevi as reflexões abaixo que nada mais eram - são - do que as agulhas do meu pensamento fincando meu espírito, como em tudo que faço. Nada do que vem à mente de qualquer pessoa, e não sou diferente de ninguém, é fruto do mero acaso. Algo nos motiva, a qualquer coisa que seja, em qualquer momento que seja. Havia e há um sentido em tudo o que escrevo, porque o principal sentido de tudo é expô-lo, em si. Senão, não publicaria, como tanta coisa que tenho escrito apenas de mim para eu mesma. 

Na ocasião, dentro do contexto e do sentido muito peculiar, a Mirtes Guimarães - a guru @Marcia1907 - sabiamente "comemorou" o texto em questão ao incluir no espaço de comentários, simples e diretamente, a música Resposta ao Tempo, interpretação espetacular de Nana Caymmi. Na hora, e para sempre até hoje, esse gesto da minha amiga e todos os seus significados me marcaram em muitos aspectos. No momento em que li, percebi o quanto ela já tinha razão, mesmo sem nenhuma de nós saber quais seriam os desdobramentos da vida, do destino, do senso de humor Divino, enfim.

Nesse último ano, as motivações intrínsecas desse "diálogo" com o senso de humor macabro de Deus pioraram, muito. Depois melhoraram, arruinaram novamente, para um ou outro dia desanuviarem na minha mente, no meu corpo - porque até fisicamente o de cujus me afetou. E tal qual um eletrocardiograma - trocadilho óbvio - a história se desenrolou cheia de altos e baixos, com lágrimas e sangue, e literalmente, até ausência dele, suprida por transfusão. O que jamais mudou, nem mudará tampouco, independente de como "leio" o diálogo com o destino, hoje, é a consciência de que nem tudo vale a pena, porém, quando sabemos exatamente o que vale a pena, vale. E todo o caminho eu percorreria exatamente da mesma forma, passados 12 meses. Não deixaria de viver esse último ano conforme foi, por nada do mundo ou fora dele, pois isso significaria não ter compartilhado, sofrido, sentido, chorado - muito - e também respirado, com alívio, a cada pequena ponta conquistada de algo que doeu, dói e jamais será esquecido. 

Todos nós somos o resultado de nossas histórias. A minha, essa inclusa, me orgulha demais. E me orgulha mais ainda dizer que tenho para o Tempo, uma Resposta. A mesma que a Mirtes previu, sábia e sensitiva que é, já naquele período. Exatamente a mesma. E essa resposta registro nesta minha casa, já que escrevo no blog o que eu quero, inclusive nada, como tenho feito. Para os que gostam de vir aqui e ler, e não estão a entender nada do que digo agora, relevem, mas atentem: minha Resposta ao Tempo é literal. E segue, definitivamente, a partir de agora. Quem sabe do Tempo que passou, e de todas as minhas Respostas, saberá. E definitivamente, não restou só o pó.

O texto segue abaixo, já o vídeo está bem aqui. Pode-se clicar no play enquanto se lê...



DESTINO: DEUS TEM SENSO DE HUMOR

Certamente, com um macabro senso de humor, O Criador se passa muito bem pelo papel de destino. Sempre achei que no mundo não há espaço para mistérios metafísicos. Que tudo é questão de construção. A cada ato, uma consequência. Para mim é realidade. Para outros, é isso que denominam destino. 

Veja uma pessoa que preza algo mais que tudo. Mas que esse algo é escondido, oculto, reservado para poucos, e sem o brilho que merece. A pessoa decide jogar luz sobre esse algo. E ela sabe fazer isso como poucos. Formula ideias, toma iniciativas, cria espaços, constrói o local para expô-lo, e propagandeia. E exatamente por causa desse seu ato apaixonado de expor o que mais preza, a pessoa perde-o. Incompetência, acaso, inconsequência ou só.... crueldade do destino?

A verdade é que, quer queiramos, quer não, a nossa vida resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o "tudo" que ficou para trás e o "nada" que temos pela frente. Dá-se o presente, e é só o presente que pode nos fazer rir, ou chorar.

Somos o que fazemos. Somos o que fazemos para mostrar o que somos. Da mesma forma que não posso afirmar o que sentirei ou o que farei daqui por diante, posso afirmar, diante do Divino senso de humor meio negro, que quando eu sair das minhas tempestades por Ele emprestadas, posso sair melhor ou pior. A mesma, definitivamente, é impossível. A cada tempestade do destino, uma nova pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido. E quem sabe, assim, é possível, ao menos um pouco, compreender qual é o senso de humor de Deus. Ou qual é o senso de humor do Seu destino a nós catapultado.

Sempre afirmo que a natureza detesta vácuos. Ela se adapta. De alguma forma, preenche, ocupa, alarga, estende, reprime. Mas ocupa os espaços. Em se tratando do instinto de sobrevivência, é ele que fala mais alto. De alguma forma, o instinto se adapta ao destino. Mas acaso a natureza nos pareça inerte, o único remédio que temos é pensar. Continuar, ou interromper o senso de humor do destino?

Tenho orgulho do que já fui, e do que me tornei pelas coisas que vivi. Não posso garantir que continuarei a me orgulhar pelo que ainda serei, a seguir, se é que serei, se é que seguirei. Só posso escolher entre viver assim ou morrer assim. Não posso garantir que escaparei das tempestades escritas pelo destino, ou se correrei para elas. Não posso garantir que uma tempestade destinada à mim não irá perseguir-me, por muito ou pouco tempo. Não posso garantir que voltarei a sorrir, a dormir, e a me alimentar. Só posso garantir o que já aconteceu, e garantir que a realidade passada não pode ser creditada - ou debitada - na conta do destino. Só na conta das pessoas que construíram (destruíram?) a tal realidade.

O senso de humor macabro de Deus peleja, mas ensina, inclusive, que se você não sabe de tudo, na verdade você não sabe de nada, e foi usado pelo destino. O difícil é entender que você não sabe nada e compreender que o significado disso é a baixura de sua importância. Na mesma proporção em que é difícil demais, e sei que isso não aceito bem,  que é você quem sabe de tudo, então sempre saberá que você é mais, muito mais importante, e mesmo assim é protagonista das perdas do destino. Talvez seja então o momento de interrompê-lo, escrevendo o parágrafo final até que reste só o pó, com ou sem humor macabro, a brincar com suas inconsistências.

1 comentário:

  1. Tem horas que seus textos são tão completos que, por mais que queira não sei o que comentar Aí apelo para a música. E desta vez, acho que Two Sides reflete bem o que achei deste.
    http://www.youtube.com/watch?v=Vjs-rnuvfXo

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