sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UM FILHO, UMA ÁRVORE, UM LIVRO.


Há alguns meses, o professor Marcos Pontes, contista, poeta, romancista, cozinheiro e blogueiro do S-E-2, incluiu-me em um projeto que ele idealizara: uma coletânea de artigos de internautas com o objetivo de  publicá-los em um livro. Lisonjeada, declinei. Sim! Nunca tive, não tenho e continuarei, pós esta experiência, sem absolutamente qualquer pretensão de lançar-me escritora para o mercado. Nunca sofri de falsa modéstia e não se trata disso. É que levo as letras a sério demais, respeito-as demais (e conheço o mercado bem demais) para saber que não faço parte do rol dos que podem, por todos os motivos e sob todos os aspectos, aventurar-se nessa seara. 

Pois bem. Marcos quis que eu pensasse que ele não me deixava alternativa, e quando dei por mim, estava enviando-lhe um texto, formatado a partir de três outros que eu havia publicado aqui no blog, já que a proposta era exatamente essa: mostrar o que blogueiros comuns, sem fama, apenas pessoas que usam a web como o velho diário dos tempos de adolescência para lidar com seus próprios desabafos, andam dizendo por aí. Não apresentei nenhum problema nacional, tampouco alguma solução. Apenas tratei, egoisticamente, sobre o que penso da minha própria condição: "Não me ofereçam igualdade", é o meu artigo.

Quem me acompanha há mais tempo sabe, pois não faço segredo, não sou afeita a experiências coletivas, exceto a mais coletiva delas por ser a mais individual também: torcer na arquibancada de um estádio lotado, onde você é apenas um na multidão e daí continua sendo único. Recuso a ideia de ser escrava da felicidade coletiva. Minhas piores facetas, o que mais me incomoda ou incomoda aos outros, meus piores medos, meus excessos e meus acessos de raiva, de riso ou tristeza, são intimamente peculiares e gosto assim. São eles que me tornam humana. Infeliz é quem precisa de heróis perfeitos. Se a perfeição é a ética padrão da sociedade, opto por conviver com as minhas desgraças. Ao menos reconhecerei os meus próprios fracassos, e não os de terceiros, em mim. 

Mas a vida está à nossa frente para estabelecer, comprovar ou quebrar paradigmas, e a experiência de fazer parte do projeto editoral do Marcos mostrou-se perfeita para isso. Nesse nosso mundo já está tudo tão igual que me pergunto, acaso apareça algo inusitado no seio da sociedade padronizada pelo marketing do comportamento, se saberei reconhecer. Esse tudo é muito tão coletivo. Nem a moral é individual. Esta, aliás, é tão desnecessária no universo coletivo que, desconfio, nem de forma privada as pessoas queiram pensar sobre isso. Esse então foi um dos paradigmas quebrados: mesmo sendo eu esta hipérbole individual, fui acolhida em um grupo com espírito intensamente coletivo e muito mais homogêneo do que eu esperava, salvo uma "mínima minoria" que - nem me desculpem a sinceridade - são, ali, tal como eu, como um tipo de forasteiros, os pontos fora da curva. 

De cara assustei-me, lógico, porque eu sei, tenho todas as características para decepcionar qualquer grupo que tenda à aceitar-me, independente de qual seja a sua natureza. Sou chata, do tipo que não vê vantagem em firulas, nem de linguagem nem de estética. E em oposição a isso sou uma esteta que também gosta de simplicidade e simetria, tudo limpo. Numa publicação coletiva, isso me parece - pareceu - impossível de atingir. O diabo é que sou exigente demais e tendo à antipatia, mesmo que com verniz da educação bem apurado. Enfim, não sou fácil de distribuir sorrisinhos dando a entender que achei tudo lindo e maravilhoso, e daí que coletivamente isso nunca é bem visto. Pensei que iriam me expulsar logo após o primeiro e-mail que lhes enviei. Mas as pessoas que o Marcos convocou têm muito mais generosidade que juízo, e fui aceita.

Eis que nessa noite, já perto da hora de perder o sapatinho, o Comandante da Tropa, professor Marcos, envia aos co-autores da empreitada o e-mail contando da novidade, com o cavalheirismo de se desculpar pela "demora". Como assim? Eu nem sabia que já havíamos decidido sequer como seria a capa! Não aceitei as desculpas, por óbvio, porque não demorou nada, Marcos, comandante competente que aturou a todos e agilizou o processo. O resultado está abaixo e o espaço para comentários deste blog, aberto, como sempre foi, para todos os que desejarem falar sobre. Mas com uma única condição: sincera honestidade absoluta. 

Enquanto isso, vou ali plantar uma árvore pensando se plantarei duas, porque o livro, tal como a filha já "produzidos", são experiências únicas que não repetirei mais.

Sinopse

Vinte e um coautores de 8 estados destrincham os problemas brasileiros de educação a política partidária, de modismos a pseudo-democracia, de defesa nacional à ética político-partidária, com levantamento das questões, críticas e sugestões. Brasileiros falam muito, mas expressam-se poucos. Precisam falar melhor para serem ouvidos e respeitados. Este livro é apenas um grito de gente que procura conhecer dia a dia o que nos aflige e como podemos sair dessa aflição. (Clique aqui para mais detalhes)

8 comentários:

  1. Já separei o caldo de cana, o chá de capim-limão, cenouras e maças, um balde de aveia e um pouco de sal para quem apreciar. Não sou muito do coletivo também, embora a vida na fazenda me "force" aos relacionamentos e entendimentos com criaturas de todas as espécies. Parabéns pelo blog, pelo texto, pelo livro e traga seu chapéu de palha para a sobremesa.

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    1. Se você está pensando que iria escapar da "mínima minoria", Filonéscio, enganou-se. Tomei a liberdade de de incluir entre os que são ponto fora da curva, que nem eu. Levarei o chapéu. Tomara que não dê indigestão, hehe.

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  2. Bem, eu só quero saber de uma coisa. O livro 'Brasileiros 2.1 - De Boca Aberta' será comercializado só no Brasil? É, pá! Temos que espalhar a boa nova na terra de Camões. Afinal, 2012 é o Ano do Brasil em Portugal e, os festejos terminam em Jun/2013... Huuummm, tenho ideias! ;)

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    1. Oi Ana! Pelo que entendi - e neófita nisso, não entendi muito bem - compra-se o PDF, também. A questão comercial é um mistério para mim, infelizmente, pois sou do tempo em que livro tinha que ter editor + editora. Agora é bem moderno esse esquema de prateleira virtual, mas confesso, não entendo lhufas de como funciona. O professor Marcos pode explicar melhor. Beijoca, flor! Obrigada por estar sempre presente cá no Veneno!

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  3. Árvores já plantei várias, filha já fiz uma (marvilhosa) que vale por muitas, portanto, só faltava um livro... Também fiquei feliz e muito emocionada.
    Parabéns pra nós todos!!!

    Beijão

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  4. Confesso que também não sou afeito a projetos coletivos, mas gosto de escrever livros, embora poucos os leiam. Depois de dois de contos e um romance muito mal vendido e cobrado por alguns amigos (aqueles que cobram que você escreva, depois pedem que você doe, jamais compram) um livro sobre política, fiquei matutando a ideia por uns meses. Anos são muito tempo para quem, quando criança, achava que morreria aos 50.
    Cheguei à conclusão de que um livro sobre política 1. teria que versar sobre um só tema, o que levaria anos de pesquisa, escrita e reescrita, até poder ser impresso, o que, muito provavelmente deixaria o tema explorado demodê; 2. requeriria uma disciplina que não tenho; 3. levaria meses só para escolher o tema, e mais um canavial de poréns.
    Mas vendo pessoas politizadas, boas de expressarem-se e afeitas a essas coisinhas coletivas, imaginei que seria interessante lançar todas as substâncias num cadinho e torcer para que desse certo.
    Me vi delegado mandando e desmandando e aos poucos fui delegando tarefas a um e outro, pedindo daqui, insuflando dali, certas vezes contrariado, quase jogando tudo para o alto, o que não o fiz por respeito aos que estavam levando a sério, uma "máxima maioria". Hoje, confesso, deveria ter tido mais pulso e pedir a um ou outro que refizesse seus escritos, que se aprofundasse aqui e ali, descartasse este ou aquele comentário. Mas me contive. Naveguemos na anarquia do livre pensar e livre falar. Já bastam os vermelhinhos querendo mandar em tudo.
    O resultado me foi satisfatório. De tudo um pouco, alguns bem profundos, outros navegando na beira e nós viramos escritores. Ueba! E sem babação desnecessária, sua parte ficou porreta e eu me vi apenas mais um no meio dessa multidão de 21-1 (que a Ana esteja nos abençoando lá do lado de lá onde se encontra).

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    1. Marcos, lembro-me de, meio a um dos inúmeros e-mails coletivos, e eu que nem falo demais, te "cobrei": é o dono da ideia, manda nessa poha, caiaio! Não foi bem assim que escrevi, mas a intenção era que fosse. Ou se tem um Comandante, ou a tropa não anda. Obrigada pela oportunidade. Aprender, aprender, aprender. Esse é o maior legado!

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  5. Querida Regina

    Mentes individuais que passeavam pela internet se cruzaram em algum momento, onde energias foram se entrelaçando e construindo um caledoscópio de palavras que se tornaram frases compostas com sinais gráficos , capítulos, capa e sobre capa.
    Não somos os donos da Razão mas sim seres humanos com um compromisso bem maior do que apenas empurrar a Vida.

    Bjs

    Marisa Cruz

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