quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CAI A NOITE



Porque ainda irei 
por neve sem lei 
aonde bem sei 
que espera silente? 
Há-de aguardar 
possa eu poupar 
o tempo a gastar 
com outra gente. 

Quando eu me farte 
do mundo a ser parte, 
e quando mais arte 
já sobre ao que sei, 
tempo é de ir aonde 
o cipreste a esconde, 
como quem responde: 
Enfim, cá voltei. 

Se o dia chegar 
de ninguém negar 
o que eu procurar, 
e ainda eu não for 
(com boa medida 
ao ócio atribuída 
no prazer sem brida), 
paciente é o amor. 

Não venham ralhar-me 
por meu demorar-me 
e nem perguntar-me 
porque me fiquei. 
Cuidados me chamam, 
amores me inflamam, 
Ela é dos que não clamam: 
atura-me, eu sei. 

Thomas Hardy

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