segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CAI A NOITE



Sou a tua janela
Por ela tu vês a lua - o sol, 
e sempre que queres, a rua;
Sou teu caminho
Por ele tu chegas
ao arrepio, não de frio;
Sou teu piano
Onde tu crias as harmonias
que rouco, ressoas, todos os dias.

Sou o teu silêncio
Nele tu cadencias a respiração
e sentes que estás vivo, em ebulição;
Sou teu porto
Onde tu ancoras a tua distância
seguro, depois de qualquer travessia;
Sou tua chuva
Que chega, acústica, única capaz
de abrigar, presente, a tua paz.

Sou a tua solidão
Que a todo tempo sustenta-te 
pelos desejos que tua alma alimenta.

Sou teu ninho
Tua janela, teu porto, teu silêncio, 
- teu caminho.
Porque nunca mais, nem em ebulição,
Nem na chuva, na paz, no tempo, 
Nem na alma, na solidão, no frio,
Nem na respiração, nem no caminho,
Nunca mais, nem só,
Tu ficaste sozinho.

Em meu colo tu te aninhas.
Vem, rendido, e arrebata!

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