quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O DEBUT DE AÉCIO

(Photo: George Gianni)

Em eleição majoritária, há o vencedor e os demais, derrotados. Estamos em ano ímpar, pré-eleitoral, que costuma ser ano de realizações de governos que ficam, via de regra, nos dois primeiros, estagnados. É ano de se erguer algo de concreto para ter o que mostrar, "ter o discurso" no ano par imediatamente subseqüente, seja para buscar a reeleição ou para eleger seu sucessor. A dona Dilma Presidente, que não leva o menor jeito para palanque e nunca desce dele, está em plena campanha eleitoral nesse ano ímpar. Também esse é o ano em que as forças que pretendem vencer o atual governo ao disputar o mesmo cargo, reafirmam e intensificam suas posições. Numa eleição presidencial, sem sombra de dúvida, há espaço para os derrotados com campanhas vitoriosas. Questão de competência de "discurso".

O tempo, o conhecimento, o livre pensar e a experiência são os meus grandes aliados, responsáveis pelo meu pragmatismo. Nada é pior do que o PT para o Brasil, ninguém é pior do que os seus membros para nos governar. É com pragmatismo que sei que, antes de se fazer e para se fazer política, é preciso VENCER uma eleição. Vencer o PT é algo que só se faz com inteligência, fogo nos olhos, faca nos dentes e ferradura nos cascos. Com essa vontade e muita técnica, cercado de competência por todos os lados, não só é possível apresentar ao eleitorado uma campanha politicamente vencedora, mesmo se o resultado for desfavorável, como há uma real, ainda que pequena, possibilidade de vitória eleitoral. 

Dois anos depois de sua "estréia" como senador, o tucano Aécio Neves promete para a tarde desta terça, 20, sua reentrée (prática) na tribuna do Senado, ocupando-a como pretenso pré-candidato à Presidência da República em 2014. Não sou de meias palavras, tampouco meias verdades, pois estas não passam de mentiras inteiras. Então rasgo um papo reto: até hoje, Aécio das Minhas Geraes ainda não mostrou, perdendo um tempo precioso que ninguém em sua condição deveria ousar perder, sua veia oposicionista. Até o momento, não nos fez olhar para ele e nele ver um "líder" cuja voz nos passe vigor, confiança, e porque não, alento e esperança de que num futuro, nós possamos mudar do desgoverno que temos para o que deveríamos ter, que seja minimamente parecido com uma gestão de honra, valores e muita, mas muita competência, a administrar o estado brasileiro a partir do Palácio do Planalto. Quem ocupou bem esse espaço de mostrar o  governo QUE NÃO TEMOS, praticamente sozinho, quase que como um Quixote, foi o senador paranaense Álvaro Dias. Pois bem. Ponto, volta a linha, parágrafo.

Evidentemente, a imprensa já nos informa como será o discurso de Aécio. Evidentemente, que apenas lendo sobre, parece-me que terá todos os ingredientes necessários para marcar bem seu território, e o meu papo reto me permite dizer que, para o próprio bem de suas pretensões futuras, o neto de Tancredo Neves não perca a oportunidade de ser um macho-alfa a cercar seu território, fazendo xixi em todos os limites dos 10 anos de presidência petista. Aliás, oposição de raça (P.O.) se faz mesmo é ultrapassando os limites territoriais, por que não? 

Mas um discurso apenas, não é o bastante. É preciso que a consistência dos propósitos seja lembrada diariamente à sociedade brasileira, à opinião pública (que é, infelizmente, a opinião publicada) e ao eleitor que já esteja atento ao processo sucessório dos 12 anos de PT a nos desgraçar o país. Se o senador mineiro mostrar que deseja ocupar tal espaço - e torno a repetir, falo pragmaticamente - tem chance de (mesmo se não vencer), realizar uma boa campanha. E uma boa campanha tem chance de conquistar, ao longo dos meses que faltam para a decisão em 2014, alguma simpatia dos que, como eu, até hoje somos os órfãos vira-latas, rejeitados pela omissão gritante e vergonhosamente presente da nossa "oposição", há 10 longos anos.

O que vem pela frente, em tese e com algumas variáveis, eu até sou capaz de prever, aí incluídos os revezes, as puxadas de tapete, as traições, toda a receita do bolo que alguns de nós conhecemos bem. Resta saber se eles, os que se lançam candidatos contra o PT, também são capazes de visualizar a realidade, e trabalhar para que o convencimento da população transforme-se em um capital eleitoral a seu favor. Por ora, sou totalmente descrente de um futuro político pragmático que aponte para esse lado.

Atualização pós-discurso: gostei bastante do conteúdo, que, mesmo tendo sido por escrito, 20 minutos depois, ainda não encontrei, nos canais do partido do Aécio, disponível para incluir um link aqui. De toda forma, mesmo com bom conteúdo vale o dito anterior, apenas um bom discurso "debutante" como oposição não bastará, assim como não bastará, para uma boa campanha - seja vencedora ou não - a sua (nem assim tão bela, mais) estampa. Não lhe garante o carisma necessário. Mas isso é outra conversa. Para outra hora.

*Leia o discurso publicado pelo Jornal O Globo, aqui.

5 comentários:

  1. Assino embaixo, Rê!
    Discordo apenas n'um ponto: o tempo de mostrar as travas da chuteira foi ano passado.
    Hoje, resta correr atrás do prejuízo.
    Independente disso, espero que a oposição acorde logo, em especial o PSDB, visto que a gestão Sérgio Guerra foi TUDO, menos REAL oposicionista.
    Um gestão gélida, feita de linhas e letras, contudo inepta em ATITUDES.
    Destarte, um beijo grande pra ti.

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    1. Então você não discorda em nenhum ponto: o terceiro parágrafo diz o que até hoje, ninguém viu: embate (para não repetir as travas ou ferraduras hehe).
      Jocas!

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  2. Regina, minha querida amiga!
    Desculpe a minha franqueza, sei que você é mineira, mas eu não levo muita fé no Aécio.
    Vejo nele um político “bon vivant”, que tem bons assessores, mas que não gosta muito de trabalhar.
    De qualquer forma, se ele sair candidato em 2014, o meu voto será dele.
    Vamos continuar observando o panorama político, 2014 está logo aí.
    Um grande abraço!
    Cheers !!
    @BobWebBB

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    1. Não precisa se desculpar, Bob. Meu texto não determina apoio a quem quer que seja por mineiridades. Ao contrário, apresento a maior dificuldade que, nesse momento (outras piores virão) Aécio enfrenta: ele não nos convence porque ficou perdido em seu próprio vácuo por dois anos. Um discurso de opinião, mostrando os problemas do governo, é sim um ponto de partida. Mas não bastará para arregimentar a confiança do eleitor que não quer o PT, e nem para conquistar aquele que não sabe o que quer.

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  3. "Nada é pior do q o PT para o Brasil", simpatizo com o Aécio; espero q seja candidato "votarei nele.
    Abraços

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