segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PELA AMÉRICA LATINA - RECONTEXTUALIZANDO-NOS NA HISTÓRIA



Retificando - Influências da nossa história
Por Antônio Figueiredo

Gostaria de retificar uma informação dada no primeiro artigo (desta série), quando citei que a "influência dos índios Caribe era a origem dos laços culturais muito estreitos" entre colombianos e venezuelanos. Fosse isso verdade, nós brasileiros estaríamos irmanados a esse bloco, pois os Caribes (Kalibis) praticavam a antropofagia muito além de terras colombianas e venezuelanas, sua dieta era a mesma em terras brasileiras e por isso eram tão temidos e respeitados. Na realidade, ambos os países em conjunto com Quito (hoje Equador), Panamá, Guiana e Trinidad-Tobago formaram o Vice-Reinado da Nova Granada (1740) durante a colonização espanhola, (o Vice Reinado do Peru foi então extinto e incorporado). 

Na Guerra da Independência (1810/1819)  apenas a parte norte do Peru ficou agregada além de partes da Costa Rica e do Brasil (Cabeça de Cachorro – Amazonas) foram conquistadas aos espanhóis durante a campanha liderada por Simon Bolívar, que se tornou o primeiro presidente da confederação por ele batizada de República da Gran Colômbia (1822). Venezuela e Equador desligaram-se pouco depois de 1830. Talvez alguns suponham uma inconsistência histórica de datas, mas é que não quis me aprofundar em detalhes das guerras de independência e contra-independência ocorridas pontualmente pela reaquisição da capacidade bélica da Espanha entre os anos de 1814/16, além de que não é este o objetivo da série. 

Já o Panamá separou-se no início do sec. XX por força de uma rebelião separatista incentivada pelos USA e o “acordo final” garantido pelo estacionamento da canhoneira USS Nashville em frente das águas do Panamá, então colombianas, “agilizou” a assinatura do acordo final e a retomada das obras do Canal do Panamá.  A Colômbia foi indenizada em 25 milhões de dólares por sua “boa vontade”. A obra tinha sido iniciada por Ferdinand de Lesseps, (construtor do Canal de Suez), em 1878 ainda sob domínio territorial colombiano, mas fracassou pela ocorrência de doenças tropicais, que devastaram a massa de trabalhadores e a falta de tecnologia para problemas hídricos específicos. Uma das razões do fracionamento da Confederação em vários países foi o “desentendimento político” entre Francisco Santander, o “senhor das leis”, que defendia o Federalismo e Simon Bolívar, que defendia o Poder Absoluto e por isso foi obrigado a renunciar (1830) e então partir para “tornar independente a sua Venezuela” onde morreu. 

Uma das melhores coisas dessa viagem foi conseguir “enxergar de fora” o Brasil e seu “jeitinho brasileiro” de fazer independência, pois para melhor entender esses países, me obriguei a mergulhar na história particular de cada um e daí cronologicamente estabelecer uma correlação histórica com os acontecimentos do início do Sec. XIX na Península Ibérica. 

Sem dúvida, a Revolução Francesa (final do século XVIII) e as Guerras Napoleônicas foram as molas propulsoras do processo de insurreição e queda do Colonialismo Ibérico, pois em decorrência toda a América Espanhola sublevou-se e começou a tornar-se independente após feroz e sangrenta luta armada em cascata: México/Uruguai (1808), Equador (1809 – Reconfirmação 1822), Nova Granada (Colômbia e Panamá) - (1810), Venezuela (1810 – Reconfirmação 1821), Argentina (1810), Paraguai (1811), Chile (1818) e Peru (1821). Já a América Portuguesa (Brasil) “ruiu” por uma “guerra midiática”, (cartas desaforadas e discursos inflamados) e “conchavos políticos”, sem que uma única escopeta fosse desensarilhada e participasse das “negociações”. 

A Guerra da Independência da Bahia foi um “desentendimento à parte” extemporâneo e fora do script combinado, que se iniciaria com a Revolução Liberal do Porto – (Portugal - 1820) e o consequente retorno da Família Real a Portugal (1821) para então termos o “patriótico” Dia do Fico (1821) e por fim os, literalmente, “culotes arriados” da Independência (1822). Intriga-me o real conteúdo da “conversa de pé de ouvido subindo as escadas do navio” entre Dom Pedro I e Dom João VI na partida, da qual a História do Brasil só “vazou” uma frase icônica e profeticamente devastadora para o futuro político da Nação: "Filho, se tiveres de fazer a independência que a faça antes que um aventureiro lance mão dela". 

Vão-se os anéis, mas fica a História. Bem, por enquanto só um “tira gosto”. Ainda não é chegada a hora desta discussão.

Leia o quinto artigo da série: O QUE É QUE A COLÔMBIA TEM

6 comentários:

  1. Não esquecer na História da independência da Bahia e do Maranhão a participação dos ingleses, James Tayor que perseguiu a esquadra portuguesa até o a entrada do Rio Tejo em Portugal capturando varias naus, como Tambem do Greenfeld e Lord Cockrane comandante da esquadra naval Brasileira feita em Morro de São Paulo que sitiou Salvador por um bom tempo.
    Por incrivel que pareça aprendi isto não na escola mas no site da Nossa Marinha sobre como ela foi formada por D. Pedro I.

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  2. Rapaz, seu viés pesquisador está mostrando-se ainda mais rico do que me pareceu nos dois primeiros artigos. Tomo uma aula.

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  3. E é sempre bom lembrar que o "aventureiro" em questão era o Bolívar que pretendia varrer do continente todos que não tivessem sangue criollo( mestiço de índio com espanhol). Ou seja, portugueses, negros e índios brasileiros. E há quem hoje em dia ainda ache Bolívar o máximo...
    E que a viagem continue.

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  4. E a lição continua...Excelente texto.

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  5. Zinha Bergamin18/02/13, 23:10

    Que aula,hein, amigo!
    Foram bem conturbadas as "divisões" do nosso continente...rsrs
    Ainda tenho um medo danado desse aprendiz de Imperador,o morto-vivo "Tchavez" que ainda quer implantar o Bolivarianismo em todos os países!
    Já não chega o estrago que os Castro fizeram lá em cima,e ainda há os aspirantes a Imperadores que querem dominar tudo!Coisa mais antiga!Mas "elles" não enxergam isso;eles querem o "Pudê" de qualquer jeito! rsrs
    Sempre fico pensando: eles nasceram assim,ou ficaram depois? rsrs
    Vou esperar ansiosa o 5º texto da série! Está mto bom,hein? Manda mais! rsrs
    (Vem cá: conta a verdade: vc é formado em História da Civilização?) rsrs Parabéns! Mto bom ler vc!
    Abção e Bjão!

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    1. Zinha, o quinto artigo foi publicado ontem mesmo. Há link para ele justamente ao final desta "retificação histórica". Vai lá, queridona!

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